- A Copa do Mundo começa no dia 11, e as emoções dos torcedores podem influenciar a saúde de quem tem problemas cardíacos.
- Estudo de 2021, na Scientific Reports (Nature), analisou internações por infarto na Copa de 2014 na Alemanha, com 18.479 casos, mais que 2013 e 2015; não houve aumento da mortalidade hospitalar por infarto durante o torneio.
- Revisão de 2025, no International Journal of Innovative Technologies in Social Science, reforça que partidas emocionalmente intensas podem atuar como gatilho cardiovascular em pessoas vulneráveis.
- Dados históricos citados: Copa de 2006 na Alemanha registrou 2,7 vezes mais eventos cardiovasculares em dias de jogos da seleção; Eurocopa de 1996 associou a eliminação da Holanda nos pênaltis a aumento de cerca de 50% na mortalidade cardiovascular e por AVC entre homens no dia da partida.
- Especialista alerta que nem todos são afetados, mas pessoas com fatores de risco devem evitar desorganizar a rotina de saúde: manter medicações, reduzir sal e álcool, não fumar, manter hidratação e acompanhar a pressão arterial conforme orientação médica.
A Copa do Mundo, que começa nesta quinta-feira (11), pode provocar emoções intensas para torcedores. Pesquisas sugerem que esse caldo emocional pode impactar pessoas com doenças cardíacas, elevando o risco de descompensação.
Entre os fatores que ajudam a entender o efeito, estão gritos, ansiedade e celebrações. Para quem tem hipertensão, diabetes, arritmias ou histórico de infarto, a sobrecarga emocional pode acionar problemas no sistema cardiovascular.
Estudos recentes analisam a relação entre eventos do torneio e saúde. Uma pesquisa da Scientific Reports, de 2021, comparou internações por infarto na Alemanha durante a Copa de 2014 com 2013 e 2015, encontrando mais casos no Mundial de 2014, mas sem aumento na mortalidade hospitalar.
Outra revisão, publicada em 2025 no International Journal of Innovative Technologies in Social Science, reforça que partidas emocionalmente intensas podem funcionar como gatilhos em pessoas vulneráveis. Dados de jogos de outras competições também são citados para embasar a hipótese.
Ainda assim, os autores ressaltam que não há consenso entre estudos. Fatores como álcool, tabagismo, alimentação, sono e condições de saúde prévias modulam o risco de descompensação cardiovascular durante o torneio.
O alerta é endossado por especialistas, entre eles o médico Álvaro Avezum, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Segundo ele, não é preciso abandonar a torcida, mas manter cuidados contínuos com a saúde diante de situações de estresse agudo.
Conforme o médico, o estresse desloca respostas do organismo, libera adrenalina, acelera o pulso e eleva a pressão. Em indivíduos com doença cardíaca, isso pode aumentar a demanda de oxigênio do músculo cardíaco e acender sintomas como dor no peito ou falta de ar.
O risco é potencialmente maior em cenários como consumo elevado de álcool, refeições pesadas, sono insuficiente e longos períodos sem descanso. Essas condições costumam acompanhar dias de jogos decisivos ou eliminação de adversários.
Especialistas orientam que torcedores com fatores de risco mantenham a rotina de saúde, mesmo durante a Copa. Medicamentos de uso contínuo não devem ser interrompidos; é recomendado moderar sal e álcool, não fumar, manter hidratação e monitorar a pressão arterial conforme orientação médica.
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