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Pesquisa aponta que atividade humana descontrolada provoca inundações

Estudo vincula elevação do nível do mar ao aumento de inundações costeiras, com impactos desiguais e risco para comunidades tradicionais

Acões humanas estão diretamente ligadas à frequência de inundações costeiras extremas em todo o mundo - (crédito: AFP)
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  • Estudo internacional liderado pela Universidade de Tulane aponta que ações humanas elevam o nível do mar e aumentam a frequência de inundações costeiras ao redor do mundo; eventos antes esperados a cada cem anos agora ocorrem em média 12 vezes por década.
  • Em Wellington, Nova Zelândia, inundação que antes ocorria a cada século passou a ocorrer cerca de duas vezes por ano.
  • Em Manila, nas Filipinas, o afundamento do solo por água subterrânea elevou a frequência de inundações extremas em mais de trezentas vezes; na maioria das regiões, a mudança climática é o principal fator.
  • As autoridades ressaltam que as mudanças exigem planejamento de infraestrutura e adaptação; Nova Orleans é citada como exemplo de sistema de proteção que precisa ser mantido diante de condições em evolução.
  • No Brasil, áreas costeiras enfrentam riscos crescentes e impactos em comunidades tradicionais, pesca e ecossistemas, com casos em Ilha do Cardoso, Atafona, Bailique e Delta do Parnaíba.

A atividade humana tem ampliado a frequência de inundações costeiras em todo o mundo, segundo estudo liderado pela Universidade de Tulane. A elevação do nível do mar causada por ações antropogênicas aumenta a incidência de eventos extremos. A pesquisa foi publicada ontem na Nature Climate Change, dois dias após alerta da ONU sobre a gravidade dos oceanos.

O estudo analisou registros de marégrafos e simulou modelos climáticos para separar efeitos humanos de fatores naturais. Em locais avaliados, inundações que antes ocorriam a cada 100 anos passaram a ocorrer, em média, a cada década. Em quase metade dos 130 locais, a probabilidade dobrou ou mais.

Em Wellington, Nova Zelândia, uma inundação típica de século passou a ocorrer cerca de duas vezes ao ano, segundo os pesquisadores. A pesquisa também aponta variações regionais na magnitude das mudanças, com fatores locais influenciando a vulnerabilidade.

Cenários regionais e causas

Em Manila, submersões extremas aumentaram consideravelmente por causa do afundamento do solo decorrente do uso de água subterrânea. Em outras áreas, a mudança climática induzida pela humanidade aparece como principal fator para o incremento desses eventos.

Os cientistas destacam que as forças naturais tiveram papel maior no início do século XX, mas a partir dos anos 1960 a influência humana tornou-se dominante na elevação do nível do mar e no risco de inundações. A pesquisa sugere revisão de estimativas históricas para planejamento de infraestrutura costeira.

Implicações para o Brasil

Especialistas apontam que o Brasil já observa aumento do risco em cidades litorâneas. Exemplos como a Ilha do Cardoso, em São Paulo, mostram deslocamentos de comunidades tradicionais devido à erosão. Em Atafona (Rio de Janeiro), o avanço do mar já devastou casas nas últimas décadas.

Amapá, Delta do Parnaíba e outras áreas também exibem erosão acelerada, intrusão de água salgada e mudanças na dinâmica costeira. A adaptação climática não se resume a proteger a costa, mas também a garantir a permanência de comunidades que dependem desses territórios.

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