- A Anvisa autorizou a tirzepatida para tratamento de diabetes tipo 2 em pacientes de 10 a 17 anos, tornando-a o primeiro agonista duplo dos receptores GIP e GLP-1 liberado no Brasil para crianças e adolescentes.
- O uso é acompanhado de evidências de melhora glicêmica e redução do IMC em jovens, mas exige acompanhamento médico próximo.
- Estudo na Lancet, com noventa e nove participantes com média de 14,7 anos, mostrou melhora de glicemia e redução de IMC após trinta e três semanas, mantidas após um ano.
- Efeitos colaterais comuns incluem náuseas, vômitos, constipação e diarreia; há risco de hipoglicemia, e pode haver redução da eficácia de anticoncepcionais orais.
- O objetivo é tratar diabetes, não emagrecimento; cada caso deve ser avaliado individualmente, com acompanhamento médico próximo e de acordo com indicações e contraindicações (alergia, carcinoma medular de tireoide, neoplasia endócrina múltipla tipo 2).
Em abril, a Anvisa autorizou o uso da tirzepatida, ativo do Mounjaro, para controle do diabetes tipo 2 em pacientes de 10 a 17 anos. Com a decisão, o medicamento tornou-se o primeiro da classe dos agonistas duplos de GIP e GLP-1 liberado no Brasil para jovens. A indicação visa melhorar glicemia e reduzir resistência à insulina.
A autorização parte de evidências de eficácia e segurança em adolescentes, com estudos que acompanharam pacientes já em tratamento prévio com insulina e/ou metformina. A pesquisa envolveu crianças de 14,7 anos, em oito países, e mostrou ganhos em glicose e redução de IMC ao longo de 33 semanas, mantendo-se estáveis após um ano.
Atenção deve ser dada ao acompanhamento próximo. Efeitos colaterais comuns incluem náuseas, vômitos, constipação e diarreia, além de risco de hipoglicemia. Há necessidade de monitorar o pâncreas e a vesícula biliar, e a tirzepatida pode reduzir a eficácia de anticoncepcionais orais, demandando método alternativo.
Autorização regulatória
A Anvisa avaliou que os dados de estudos clínicos são compatíveis com uso em jovens. A decisão coloca o medicamento como opção para manejo do diabetes tipo 2 nessa faixa etária, incluindo monitoramento de tolerabilidade.
Contexto epidemiológico
Dados do Sisvan indicam aumento significativo da obesidade entre adolescentes. Em 2009, quase 75 mil jovens tinham obesidade; em 2025, o número saltou para quase 1 milhão. Estudos indicam associação entre estilo de vida e desenvolvimento da doença nessa faixa etária.
Uso clínico em adolescentes
A tirzepatida atua ativando receptores de GIP e GLP-1, ajudando a controlar a glicemia. A prática clínica demanda ajuste individual, considerando fase de crescimento, mudanças hormonais e necessidade terapêutica. A prescrição requer acompanhamento médico próximo e avaliação de riscos/benefícios para cada caso.
Considerações finais
Especialistas reforçam que o tratamento não é indicado para emagrecimento em adolescentes. O objetivo é controlar o diabetes e reduzir complicações associadas, com cuidado especial para compatibilidade com outros métodos contraceptivos e com o desenvolvimento do paciente.
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