- Dor vulvovaginal é comum e o diagnóstico tardio eleva os custos, com a carga econômica estimada entre 31 bilhões e 72 bilhões de dólares por ano nos EUA.
- Jennifer Vargas, 35 anos, vive com dor intensa há seis anos; já gastou cerca de $15 mil com ginecologistas, fisioterapeutas pélvicos e nutricionistas, sem alívio.
- Quase seis em cada dez pacientes procuram pelo menos três profissionais antes de obter diagnóstico, e muitos tratamentos não resolvem o problema.
- A prática clínica enfrenta dificuldades com planos de saúde: muitos especialistas atuam fora da cobertura, consultas iniciais podem custar entre $ 500 e $ 2.500.
- O Aziza Project, criado pela ativista Stephanie Berman, financia visitas e viagens para pacientes que não podem pagar, já ajudando quatro pessoas com mais de $8 mil em despesas médicas e de viagem.
Jennifer Vargas, 35, vive com dor vaginal intensa há seis anos. A dor surge a cada relação, com sensação de queimação e choques. O agravamento ocorreu após BV e persistiu mesmo após antibióticos, associando-se a TPM prolongada e baixa energia.
Ao longo de dois anos, Vargas passou por várias consultas com ginecologistas e terapeutas do assoalho pélvico, com testes que davam negativo para BV. O tratamento seguia, porém sem diagnóstico definitivo ou alívio. O acesso se tornou mais difícil após queda salarial.
O caso de Vargas ilustra custos elevados com diagnóstico e tratamento para dor vulvovaginal. Estima-se que 26% das mulheres com dor vulvovaginal enfrentem gastos altos com diagnósticos, consultas e terapias não comprovadas.
Dificuldades no sistema
Especialistas relatam que muitos profissionais atuam fora do sistema de seguros por remuneração baixa e tempo de consulta curto, dificultando o diagnóstico. Consultas iniciais podem chegar a entre 500 e 2.500 reais, sem garantia de alívio.
Estudos citados indicam que quase 60% das pacientes consultam pelo menos três profissionais sem diagnóstico claro. Além disso, pacientes costumam arcar com terapias, suplementos e ajustes de estilo de vida.
Aziza Project
A jornada de Vargas teve apoio da Aziza Project, criada por Stephanie Berman, que também passou por dor pélvica. O projeto oferece apoio financeiro para consultas, viagens e tratamentos. Em 2020, Berman iniciou a iniciativa após reconhecer a dificuldade de acesso a especialistas.
Berman, diagnosticada com neuralgia pudendal e disfunção do assoalho pélvico, viajou diversas vezes a Tulsa para avaliações. O custo total chegou a quase 40 mil dólares, incluindo consultas, fisioterapia e deslocamentos, financiados por doações.
O projeto já financiou despesas médicas de quatro pacientes, totalizando pouco mais de 8 mil dólares. A meta é ampliar o apoio para cobrir tratamentos como Botox e estadas em hotel.
Impacto pessoal e financeiro
Sem o apoio da Aziza Project, Vargas afirma que não conseguiria arcar com tratamentos como reposição hormonal e acompanhamento com especialistas em dor pélvica. O Medicaid não cobre alguns itens essenciais para seu alívio, mantendo a dor sem solução estável.
A pesquisadora Elizabeth Hintz destaca que pacientes gastam com múltiplos profissionais e, muitas vezes, com tratamentos de eficácia incerta. Ela ressalta que a dor vulvovaginal ainda é pouco abordada pela formação médica padrão.
Segundo a comunidade afetada, a falta de diagnóstico rápido aumenta o sofrimento mental e a necessidade de suporte psicológico. A trajetória de busca por respostas costuma ser longa e onerosa.
Entre na conversa da comunidade