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Estudo esclarece uso de aspirina após colocação de stent

Estudo com 3.408 pacientes aponta que manter aspirina após angioplastia com stent reduz sangramentos, mas não valida benefício cardiovascular claro, exigindo decisão individualizada

Dúvidas: cardiologistas precisam decidir se usam ou não aspirina em pacientes submetidos ao procedimento de angioplastia com stent (Dynamic Graphics/VEJA/VEJA)
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  • Estudo NEO-MINDSET avaliou risco e benefício da aspirina após angioplastia com stent em pacientes infartados, incluindo casos complexos com múltiplos obstruções.
  • Foram analisados 3.408 pacientes, sendo 791 classificados como complexos; metade recebeu o tratamento padrão (dupla antiagregação plaquetária) e a outra metade, um antiplaquetário potente.
  • A retirada da aspirina reduziu sangramentos, mas não mostrou benefícios gerais claros em relação ao tratamento convencional, considerando riscos de infarto, trombose e outros eventos cardiovasculares.
  • Os resultados foram publicados na revista EuroIntervention e apresentados no EuroPCR 2026, congresso internacional de cardiologia intervencionista.
  • Os autores destacam a necessidade de decisões terapêuticas individualizadas, sem diretriz única para todos os pacientes, reforçando que a aspirina pode permanecer indicada de modo personalizado após a angioplastia com stent.

O estudo NEOMINDSET, conduzido por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, revisou o uso da aspirina após a colocação de stents em pacientes que sofreram infarto. A pesquisa avaliou se manter ou reduzir o uso do AAS é seguro, considerando sangramentos e eventos cardiovasculares.

A investigação acompanhou 3.408 pacientes submetidos à angioplastia com stent, dos quais 791 foram classificados como casos complexos, com múltimas obstruções. No protocolo, metade recebeu o regime padrão de dupla antiagregaçāo plaquetária, enquanto a outra metade foi tratada com antiplaquetário mais potente.

No desenho do estudo, os pacientes foram acompanhados após o infarto e a intervenção. Observou-se que a retirada da aspirina diminui a incidência de sangramentos, mas não demonstrou benefícios claros na proteção cardiovascular frente a infarto, trombose e outros eventos relevantes, independentemente da complexidade do procedimento.

Decisão individualizada

Os resultados indicam que a decisão sobre manter ou suspender a aspirina não deve seguir diretriz única. Em vez disso, a escolha deve considerar o histórico clínico do paciente, o risco de sangramento e a possibilidade de eventuais complicações trombóticas.

Autores destacam a necessidade de contextualizar cada caso. Entre eles, o cardiologista intervencionista Guy Fernando de Almeida Prado Junior, do Einstein, reforça a importância da abordagem personalizada.

Implicações práticas

Nesta linha, continuar com a aspirina associada ao antiplaquetário mostrou-se, em alguns cenários, como a opção mais segura para evitar desfechos graves como infarto, AVC ou necessidade de nova revascularização, especialmente quando ainda há fragilidade clínica.

O estudo, publicado na EuroIntervention e apresentado no EuroPCR 2026, contou com apoio do Ministério da Saúde por meio do Proadi-SUS e incluiu participação de diversas instituições, fortalecendo a diversidade da amostra.

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