Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Infusões de células-tronco em crianças autistas nos EUA sob escrutínio

Famílias recorrem a infusões de células-tronco não aprovadas nos EUA, alimentando falsas esperanças e dúvidas sobre regulação sob Kennedy

Composite: Rita Liu/The Guardian/Getty Images/Alamy
0:00
Carregando...
0:00
  • Crianças autistas são levadas a clínicas dos EUA que oferecem infusões de células-tronco não aprovadas pela FDA, com custos elevados já pagos por famílias.
  • A evidência de benefício é limitada, e pesquisadores alertam para o risco de famílias serem vítimas de promessas falsas, com profissionais de áreas não relacionadas oferecendo esses tratamentos como “medicina regenerativa”.
  • O tema ganhou apoio político sob o governo de Robert F. Kennedy Jr., com discussões sobre regulação da FDA e esforços para ampliar opções de terapias alternativas.
  • Um experimento clínico no México, em Tijuana, pretende tratar 120 crianças entre sete e quinze anos com células-tronco umbilicais, com orçamento estimado entre um milhão e meio e cinco milhões de dólares.
  • Especialistas enfatizam que o autismo é heterogêneo e ainda não há comprovação de eficácia dessas terapias fora de ensaios clínicos formais, além de preocupações com segurança e proteção de pacientes vulneráveis.

O mercado de infusões de células-tronco não aprovadas cresce nos EUA, gerando promessas duvidosas para crianças autistas. Famílias em busca de melhoria buscam clínicas da Flórida, Texas e outras regiões, mesmo sem aprovação da FDA, sob a justificativa de aliviar comportamentos desafiadores.

Landyn Holdren, de oito anos, é um dos casos citados. O pai relata agressividade e autoagressão, enquanto a família planeja a segunda rodada da infusão. A mãe pagou cerca de 12,5 mil dólares pela primeira sessão, em outubro, em Miami. O custo total pode chegar a 15 mil dólares.

O tratamento envolve doses intravenosas de células-tronco, geralmente obtidas do cordão umbilical. Em muitos casos, o procedimento é realizado com sedação. Diversos profissionais que vendem as terapias não possuem especialização em autismo ou desenvolvimento infantil.

A prática ocorre em clínicas privadas que operam à margem da aprovação federal. Médicos de áreas como cirurgia plástica e ortopedia fornecem as infusões, enquadrando-as como medicina regenerativa para crianças com deficiências severas.

Há preocupação entre especialistas de que a expansão ocorra sob o governo de Robert F Kennedy Jr., chefe da saúde, com sinalizações de flexibilização da regulação. Pesquisadores alertam para queda no enforcement e riscos para pacientes vulneráveis.

O FDA aprova células-tronco apenas em casos restritos, como transplantes de medula óssea ou apoio imune a pacientes com câncer, usando células compatíveis de doadores. O uso para autismo não é autorizado nem respaldado por estudos conclusivos.

Em Nova York, California e além, surgem relatos de clínicas que exploram lacunas regulatórias, com promessas de melhorias em comunicação, sono e comportamento. Tais afirmações costumam se basear em estudos iniciais não conclusivos.

Na avaliação de cientistas, o autismo é uma condição neuropsiquiátrica altamente heterogênea, sem diagnóstico único de falha celular. Pesquisas clínicas controladas têm mostrado resultados mistos, sem comprovação de benefício generalizável.

A FDA já emitiu alertas de que intervenções com células-tronco não aprovadas podem causar infecções graves, danos a órgãos e outros efeitos adversos. Pais são aconselhados a buscar tratamentos apenas em ensaios clínicos autorizados.

Paralelamente, surgem iniciativas fora dos EUA, como um estudo em Tijuana com células de cordão umbilical para crianças autistas entre 7 e 15 anos. O projeto inclui 120 participante s e envolve financiamento de doações, com foco na segurança inicial de 12 meses.

Especialistas alertam que projetos internacionais devem seguir regulamentações locais. Para muitos, a busca por tratamentos gratuitos ou de baixo custo é o motor para escolhas críticas, mesmo diante de evidências limitadas.

A comunidade médica ressalta que apenas ensaios clínicos bem desenhados podem estabelecer eficácia e segurança. Enquanto isso, famílias continuam buscando opções, com custos significativos e impactos financeiros, emocionais e familiares.

Fontes consultadas destacam que a supervisão regulatória é crucial para evitar abusos. A FDA orienta que tratamentos fora de ensaio devem ser evitados, e que promessas de cura devem ser tratadas com ceticismo fundamentado.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais