- Mocktails de magnésio para dormir ganharam popularidade nas redes, mas especialistas alertam que não são solução única e sem acompanhamento médico.
- Estudos indicam que o benefício depende do tipo e da dose de magnésio, sendo mais evidente em pessoas com deficiência do mineral.
- Médicos ressaltam que os mocktails costumam associar magnésio a outros ingredientes calmantes, mas a evidência é limitada e varia conforme a formulação.
- O uso deve ser feito com prescrição médica, pois a automedicação pode trazer riscos, especialmente para quem tem doença renal, usa certos remédios ou está grávida.
- Profissionais enfatizam que melhorias no sono vêm principalmente de hábitos saudáveis e higiene do sono, com o magnésio funcionando apenas como possível complemento, não substituto de tratamento.
O mocktail de magnésio, popularizado como rotina de higiene do sono, ganhou notoriedade nas redes sociais com receitas como o Sleepy Girl Mocktail, que leva suco de cereja azeda. Médicos alertam que a estratégia isolada não substitui tratamento médico e pode apresentar riscos.
Especialistas destacam que o magnêsio atua no relaxamento do sistema nervoso, mas os efeitos variam conforme a forma e a dose. A indicação de magnésio existe, porém exige suplementação controlada e produtos com boa absorção.
Essas bebidas costumam combinar magnésio quelato, bisglicinato ou L-treonato com outros ingredientes calmantes como L-teanina, triptofano ou inositol. O magnésio pode ativar o GABA, ajudando a reduzir a ativação cerebral, segundo a médica Verônica El Afiouni.
A médica ressalta que, para quem tem deficiência de magnésio, os benefícios tendem a ser mais perceptíveis. Em pessoas com níveis normais, o efeito pode ser discreto ou ausente. Outros recursos, como melatonina, apresentam evidências mais consistentes para insônia leve e desordens do ritmo circadiano.
Para o neurologista Lucio Huebra, o consumo deve ser visto como recreativo, não como substituto de tratamento. O objetivo é um ritual de relaxamento 30 a 60 minutos antes de dormir, com efeitos ainda modestos. Frutas usadas podem conter melatonina, mas o impacto tende a ser pequeno.
O psiquiatra Marcus Renato Castro Ribeiro também alerta para a automedicação. O magnésio pode reduzir a excitabilidade neuronal e elevar melatonina, mas muitos pacientes recorrem a suplementos por conta própria. O uso sem orientação pode trazer riscos, especialmente para quem tem doenças renais ou usa certos medicamentos.
A orientação é simples: a suplementação deve ocorrer mediante prescrição médica. Pessoas com diabetes, insuficiência renal, uso de diuréticos, gestantes ou pacientes com condições específicas devem buscar avaliação clínica antes de iniciar qualquer tratamento com magnésio.
Pesquisas indicam que correção de deficiências de magnésio pode melhorar alguns quadros de depressão e ansiedade, desde que em condições monitoradas e com dose adequada. Doses elevadas podem provocar diarreia e desidratação, além de não suprir a cobrança de distúrbios do sono.
Para quem sofre com sono ruim, mudanças de hábito são o primeiro passo, incluindo rotina noturna regular e redução do tempo diante de telas. Noites mal dormidas podem acarretar fadiga, irritabilidade e impactos metabólicos a longo prazo, com riscos cardiovasculares e cognitivos.
Em síntese, o magnésio pode atuar como complemento a hábitos saudáveis, mas não é solução única para distúrbios do sono. A avaliação médica é fundamental para identificar deficiência e orientar a abordagem terapêutica adequada.
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