- SpaceX apresentou o plano de usar data centers em órbita, o que poderia elevar o número de satélites de menos de vinte mil para mais de um milhão nos próximos nove anos, com início de lançamentos em 2028.
- No IPO, as ações foram precificadas em US$ 135 e a empresa levantou cerca de US$ 75 bilhões, projetando um negócio de data centers de até US$ 2,4 trilhões.
- Astrônomos alertam que a visibilidade do céu noturno pode diminuir significativamente, com simulações mostrando milhares de satélites visíveis em cidades como São Paulo durante o solstício.
- A proposta depende de licença da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos, que vem sendo criticada por falta de detalhes sobre satélites e trajetórias; há movimentos de outras empresas, como a Starcloud, que buscam autorizações similares.
- Defensores citam benefícios como economia de água e baixa latência, enquanto críticos e especialistas destacam impactos ambientais e luminosos, incluindo emissões de gases durante lançamentos.
A SpaceX, de Elon Musk, apresentou um plano de data centers orbitais em seu IPO, com potencial de elevar o número de satélites de menos de 20 mil para mais de 1 milhão nos próximos nove anos. A oferta de ações começou a ser negociada nesta sexta-feira, com preço de US$ 135 por ação. A empresa captou US$ 75 bilhões, o maior IPO da história.
O projeto envolve lançar uma rede de data centers em órbita, cuja implementação seria iniciada em 2028. Astrônomos alertam que essa constelação pode reduzir a visibilidade de estrelas no céu noturno e aumentar a poluição luminosa, além de impactos ambientais com frequentes lançamentos.
O debate envolve o que está no portfólio apresentado a investidores e detalhes ainda sem divulgação completa. Há críticas sobre a ausência de regras claras e de informações sobre órbitas e trajetórias dos satélites, necessários para avaliação de riscos e impactos.
Um estudo de simulação, solicitado pela imprensa, mostrou que, em São Paulo, o olho humano poderia registrar milhares de satélites visíveis em determinadas épocas do ano, dificultando a observação de astros. Resultados variam conforme latitude e posição solar.
A FCC, órgão regulador dos EUA, analisa o pedido de SpaceX. Em fevereiro, encaminhou a proposta para avaliação pública em tempo recorde, com curto intervalo entre entrega de documentos e comentários. O processo costuma durar semanas ou meses.
A SpaceX afirma que o projeto reduziria consumo de água e energia, ao substituir data centers terrestres por tecnologia em órbita, além de oferecer baixa latência global. A empresa acrescenta que a disponibilidade de radiação solar seria elevada para alimentação dos equipamentos.
Críticos dizem que o suposto benefício ambiental é questionável. Professores e astrônomos advertem que novos lançamentos gerariam emissões significativas de gases de efeito estufa e que chips da IA podem exigir trocas rápidas, aumentando o ritmo de lançamentos.
Especialistas destacam ainda a falta de regras específicas sobre iluminação no céu e riscos de reentrada, bem como a ausência de padrões para as órbitas e a gestão de resíduos espaciais. A discussão envolve também impactos a longo prazo na observação astronômica.
O debate envolve também o papel de reguladores internacionais, já que a UIT delega decisões sobre satélites a entidades nacionais como FCC e Anatel. Para alguns especialistas, autorizações amplas poderiam abrir espaço para milhares de satélites caso aprovadas.
Contexto regulatório
Entre investidores, a SpaceX apresenta o planejamento de data centers orbitais como pilar da futura computação e IA, segundo documentos enviados à bolsa. Críticos defendem cautela, lembrando a ausência de diretrizes claras sobre iluminação e impactos ambientais.
Perspectivas técnicas e ambientais
Defensores citam ganhos de eficiência e redução de consumo, enquanto estudiosos apontam risco de poluição luminosa e alterações no ciclo de sono de animais. Emissões de ventos estelares e impactos climáticos seriam consequência dos lançamentos.
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