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Planta carnívora esclarece como captura presas em piscar de olhos; Darwin

Fechamento ultrarrápido da dioneia ocorre por amolecimento temporário das paredes celulares da superfície externa após tocar, aponta estudo da Science

Uma dioneia cultivada em vaso. — Foto: Wikimedia Commons
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  • Estudo publicado na revista Science revela o mecanismo do fechamento ultrarrápido da dioneia, em menos de um segundo após o toque de uma presa.
  • O gatilho é uma mudança rápida nas propriedades mecânicas das células da superfície externa da folha, acionada por um sinal elétrico que percorre a armadilha em cerca de um décimo de segundo.
  • Ao ocorrer o estímulo, as células externas amolecem temporariamente, invertendo a curvatura da folha e fechando a armadilha.
  • Experimentos com folhas imobilizadas e uso de nanoindentador mostraram que a rigidez da superfície externa diminui imediatamente após a ativação.
  • A pesquisa, liderada por Yoël Forterre, do CNRS e da Universidade Aix-Marseille, aponta a dioneia como um exemplo único de mudança rápida nas propriedades mecânicas de células em plantas.

A armadilha da dioneia, planta carnívora, fecha suas folhas em menos de um segundo após detectar uma presa. Estudo publicado na Science explica o mecanismo, respondendo a uma questão que persiste desde Darwin: como a folha movimenta-se tão rápido.

Os pesquisadores mostraram que o gatilho está em mudanças rápidas nas propriedades mecânicas das células na superfície externa da folha. Ao tocar os pelos sensoriais, um sinal elétrico se propaga em cerca de 0,1 segundo e amolece as paredes celulares, invertendo a curvatura da armadilha.

O trabalho, liderado pelo físico Yoël Forterre, vinculado ao CNRS e à Université Aix-Marseille, utilizou testes precisos para analisar o movimento. As folhas foram imobilizadas com cola odontológica para observar o disparo sem deslocamento.

Um nanoindenteador mediu a rigidez da superfície da armadilha. Os resultados mostraram que a camada externa fica macia logo após a ativação, facilitando o fechamento.

A comparação com brinquedos de borracha que invertistem a curvatura ilustra o princípio observado. Darwin já suspeitava de um “músculo interno”; o estudo confirma que não há músculo, apenas modificações rápidas da mecânica celular.

Segundo Forterre, a dioneia demonstra capacidades de adaptação vegetal ainda pouco compreendidas. A equipe ressalta a singularidade da espécie em promover mudanças tão rápidas nas propriedades celulares.

A descoberta continua a ampliar o entendimento sobre como plantas processam informações, reagem ao ambiente e obtêm alimento por meios mecânicos extremamente eficientes. Os autores destacam que não conhecem outra planta com esse nível de rapidez celular.

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