- Relógio de pulso com IA identifica episódios de ansiedade com mais de oitenta por cento de precisão a partir de sinais como eletrocardiograma e acelerometria.
- Software desenvolvido na Unicamp, pelo Centro Viva Bem, é financiado pela Fapesp e pela Samsung e foi apresentado na Fapesp Week Londres, entre dois e quatro de junho.
- Protocolos clínicos induzem estresse de forma controlada; em um teste, os participantes fazem cálculos mentais em trinta segundos enquanto assistem a uma contagem regressiva no relógio para treinar o algoritmo.
- A ferramenta funciona como monitoramento proativo, emitindo alertas para procurar um especialista quando episódios ansiosos são recorrentes; não há diagnóstico, apenas aviso.
- Pesquisadores planejam ampliar para outras condições, como hipertensão, diabetes, Parkinson e risco de quedas, e aguardam aprovação regulatória da Anvisa para testes com usuários reais; o projeto Horus também foi apresentado.
O relógio inteligente desenvolvido na Unicamp consegue identificar sinais de ansiedade com mais de 80% de precisão, a partir de dados captados pelo dispositivo. O projeto faz parte do centro Viva Bem, financiado pela Fapesp e pela Samsung.
Os pesquisadores da Unicamp exibiram os resultados na Fapesp Week Londres, de 2 a 4 de junho, na capital britânica. A apresentação reuniu equipes do CPA Voltado à saúde e bem-estar, com apoio de parceiros industriais.
O sistema usa sinais contínuos do pulso, como eletrocardiograma e acelerometria, para criar a assinatura de dados do usuário. A IA aprende padrões individuais para reconhecer estados de repouso e ansiedade.
Para treinar os algoritmos, foram realizadas atividades com estresse controlado, incluindo tarefas mentais rápidas. Em um teste, participantes calculavam em 30 segundos enquanto assistiam a uma contagem regressiva no relógio.
A tecnologia não substitui médicos, apontam os responsáveis. Em vez disso, oferece monitoramento proativo: se episódios ansiosos ocorrem com frequência, o relógio envia um alerta para buscar orientação de um especialista.
A ideia é ampliar a qualidade de vida por meio de sinais captados pelo wearable. Os pesquisadores ressaltam que o objetivo é identificar sintomas precocemente e apoiar a decisão do usuário.
Os testes ainda passam por avaliação e melhorias. Quando atingirem maturidade, haverá solicitação de autorização junto a autoridades regulatórias para testes com usuários reais, segundo Anderson Rocha.
Além do foco em ansiedade, o projeto contempla outras condições como hipertensão, diabetes, Parkinson e risco de quedas em idosos, mantendo a função de vigilância contínua do usuário.
Na mesma apresentação, Rocha divulgou o projeto Horus, sobre realidades sintéticas geradas por IA, tema relacionado ao trabalho do Viva Bem e suas aplicações futuras.
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