- O uso de medicamentos para emagrecimento cresce, impulsionado por redes sociais, mas requer acompanhamento médico devido a efeitos adversos, humor e possível dependência.
- Globalmente, mais de um bilhão de pessoas vivem com obesidade; no Brasil, 24,3% dos adultos são obesos e cerca de 61% têm excesso de peso (Vigitel 2023).
- Estudos mostram perdas de peso superiores a 10% com agonistas de GLP‑1, mas é arriscado transformar evidência em modismo sem orientação clínica.
- O tratamento deve combinar medicamento, educação alimentar, atividade física e acompanhamento psicológico; usar o remédio como única saída pode levar a frustração e reganho de peso.
- Em crianças, obesidade pode aumentar até cinco vezes a chance de permanecer obesa na vida adulta, reforçando a necessidade de prevenção e políticas públicas de saúde.
Desinformação sobre emagrecimento rápido cresce ao redor de medicamentos para perda de peso. Pessoas buscam atalhos sem considerar riscos clínicos, enquanto a obesidade segue em ascensão. A discussão envolve sociedade, profissionais de saúde e regulamentação, com a pressa em obter resultados.
Estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas vivam com obesidade, globalmente, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, dados do Vigitel 2023 indicam 24,3% de obesos e 61% com excesso de peso, ampliando o protagonismo de fármacos usados para diabetes ou obesidade.
A ampliação do acesso a medicamentos pode ser positiva, desde que acompanhado de cuidado. Investigações apontam perdas de peso superiores a 10% com agonistas de GLP-1, quando supervisionados, mas o risco aumenta sem acompanhamento médico adequado.
A Anvisa alerta para efeitos adversos, como alterações gastrointestinais, distúrbios de humor e possível dependência com uso inadequado ou automedicação. O crescimento do mercado paralelo amplia os riscos, principalmente em canais não regulados.
A OMS aponta que cerca de 10% dos produtos médicos em países de renda média e baixa podem ser irregulares ou adulterados, elevando o risco quando adquiridos fora de fontes reguladas. A discussão sobre tratamento da obesidade precisa manter o foco em atuações integradas, não apenas em medicamentos.
Especialistas ressaltam que o tratamento deve combinar medicamento, educação alimentar, atividade física e acompanhamento psicológico. Substituir bases por remédio único cria falsa sensação de cura, com provável recidiva de peso e impactos emocionais.
Estudos publicados em revistas como The Lancet Child & Adolescent Health mostram que obesidade na infância aumenta até cinco vezes a chance de persistir na vida adulta. Políticas públicas devem priorizar educação alimentar, incentivo à prática de atividades e regulação de publicidade de ultraprocessados.
O tema envolve prevenção, ambientes saudáveis e regulação de medicamentos. Em vez de acelerar resultados, o caminho para mudanças duradouras demanda cuidado contínuo, tempo e escolhas sustentáveis, segundo especialistas.
Daniela Maria Alves Chaud é professora e coordenadora do Curso de Nutrição da FASIG.
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