- Cientistas da Universidade da Academia Chinesa de Ciências estudaram o batinomídeo supergigante, um isópode de águas profundas, em estudo publicado na revista Cell.
- A espécie consegue sobreviver cinco anos sem se alimentar, graças a um estômago dilatado que armazena alimento e ocupa cerca de dois terços do corpo.
- O alimento armazenado no estômago tem aspecto de lama moída e apresenta baixa quantidade de bactérias digestivas.
- A taxa metabólica basal é extremamente baixa, o que permite consumir grandes quantidades quando há alimento e reduzir o metabolismo em períodos de escassez.
- Os pesquisadores identificaram o gene ND1, que modula a rede metabólica mitocondrial e ajusta o grau de depressão metabólica, contribuindo para a tolerância à inanição.
Cientistas da Universidade da Academia Chinesa de Ciências investigaram o batinomídeo supergigante, um isópode de águas profundas, para entender como ele consegue sobreviver sem se alimentar por até cinco anos. O estudo, publicado na revista Cell, analisou o corpo do animal e o ambiente pobre em nutrientes em que vive.
Os pesquisadores apontam uma estratégia dupla de sobrevivência. O isópode possui um estômago dilatado capaz de armazenar grandes quantidades de alimento, ocupando cerca de dois terços do corpo. Quando cheio, o conteúdo é uma massa pilosa, com baixa presença de bactérias digestivas.
A baixa taxa metabólica basal também é fundamental. Mesmo guardando reservas, o metabolismo fica reduzido, permitindo que o animal use os alimentos digestíveis aos poucos durante longos períodos de escassez. Esses mecanismos, juntos, ajudam a manter a energia ao longo dos anos.
Além disso, houve identificação de influências genéticas que ajudam a modular o metabolismo. O gene ND1 foi observado modulando a rede mitocondrial, contribuindo para a depressão metabólica necessária à tolerância à inanidade.
Segundo Yuan Jianbo, autor do estudo, o trabalho oferece um paradigma para entender como a vida equilibra crescimento e sobrevivência em ambientes extremos. As descobertas apontam pistas sobre estratégias de adaptação em ecossistemas com poucos nutrientes.
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