- Apenas vinte e oito por cento do fundo oceânico tem profundidades medidas com precisão acústica; a meta é chegar a cem por cento até 2030.
- O programa Seabed 2030, lançado em 2017, aumentou o mapeamento de 5% para 28%, com objetivo de mapear o fundo oceânico de forma abrangente até o fim desta década.
- Mapear o relevo submarino é essencial para sobras sob a vela de navegação, soberania, clima, biodiversidade, pesca e recursos minerais e energéticos.
- O Brasil tem potencial científico e tecnológico no tema, mas carece de investimento e de embarcações modernas; nos anos de 2026 e 2027 há oportunidade com o navio Falkor, do Instituto Schmidt Ocean, para expedições no Atlântico Sul.
- A expansão da Amazônia Azul e a extensão da Zona Econômica Exclusiva brasileira para 5,7 milhões de km² dependem do conhecimento do que há no fundo do oceano, com ações de geologia marinha e cooperação institucional.
O mapeamento do fundo oceânico é visto como uma questão de soberania, especialmente para o Brasil. Atualmente, apenas 28% das profundidades oceânicas são medidas com precisão acústica, enquanto 72% são estimativas por satélite.
Essa defasagem complica a segurança da navegação, a modelagem climática, a biodiversidade e a exploração de recursos. Cartas náuticas precisas orientam portos, cabos submarinos e plataformas de petróleo, além de reduzir riscos geológicos.
A jornada do mapeamento reúne avanços históricos, desde o fio de prumo até o sonar multifeixe. Expedições históricas, como a do Challenger, impulsionaram a oceanografia moderna e o conhecimento do relevo submarino.
Nos últimos anos, projetos como Seabed 2030 traçam metas ambiciosas. O Brasil pode ampliar participação, pois o conhecimento do fundo é essencial para soberania e para ampliar a exploração econômica de forma responsável.
O Brasil e a Amazônia Azul
Pesquisadores brasileiros já descreveram mosaicos de recifes submersos e depressões geológicas na Amazônia Azul. Ainda faltam investimentos e embarcações de alta tecnologia para ampliar a coleta de dados batimétricos.
O Instituto Schmidt Ocean traz o navio Falkor ao Atlântico Sul, em 2026-2027, para expedições conjuntas com equipes brasileiras. A embarcação oferece mapeamento de alta resolução e coleta de amostras em profundidades de até 6 mil metros.
Apesar dos avanços, grande parte dos dados batimétricos permanece confidencial, dificultando o acesso da comunidade científica. A abertura de dados é apontada como passo estratégico para o país.
Implicações para a soberania e a economia
O mar abriga atividades como pesca, óleo e gás, turismo costeiro e cabos de comunicação. Essas áreas respondem por parcela relevante do PIB e do emprego, tornando o conhecimento do fundo oceânico vital para decisões públicas.
A depender da extensão da Zona Econômica Exclusiva, de 3,6 milhões para 5,7 milhões de km², o Brasil precisa mapear o que existe no fundo para sustentar reivindicações e planos de exploração. O processo envolve cooperação institucional e incentivos à pesquisa.
Diversas instituições brasileiras já atuam, como o Programa de Geologia e Geofísica Marinha, que agrega mais de 20 entidades desde 1969. Ampliações na rede de institutos oceânicos e em parcerias estratégicas são previstos para ampliar capacidades.
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