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Urbanismo deve incorporar florestas às cidades, dizem pesquisadores

Pesquisadores defendem incorporar florestas ao urbanismo, com fitópolis como caminho para reduzir impactos climáticos e aproximar cidades da natureza

O escritor e pesquisador italiano Stefano Mancuso participa do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho.
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  • Pesquisadores defendem incorporar florestas ao urbanismo, com o conceito de fitópolis, apresentado por Stefano Mancuso no Seminário Transmutar, em Inhotim (Brumadinho, MG).
  • A ideia vê as cidades como organismos com inteligência, resiliência e capacidade de adaptação, sugerindo plantas dentro de edifícios e uma cobertura vegetal mínima de 60%.
  • Dado o aquecimento global e que setenta por cento da população mundial vive em cidades, há propostas de reduzir o asfalto em cerca de vinte por cento para melhorar a qualidade de vida, com transporte público eficiente e sem veículos movidos a combustão.
  • A arqueologia amazônica mostra cidades jardins antigas, com urbanismo entrelaçado à floresta; especialistas criticam a exclusão da natureza na urbanização contemporânea.
  • O evento, que celebra a Semana do Meio Ambiente, aborda a transfluência e confluência de ideias entre humanos e não humanos, ampliando o olhar sobre natureza e tecnologia.

Urbanismo deve incorporar florestas às cidades, defendem pesquisadores. Cidades amazônicas da antiguidade são bons exemplos de como a natureza pode estar integrada ao espaço urbano. A ideia ganhou mobilização de pesquisadores e ativistas, incluindo Stefano Mancuso, referência internacional em inteligência das plantas.

Mancuso participou da 3ª edição do Seminário Internacional Transmutar, promovido pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), no último final de semana. Ele apresentou o conceito das fitópolis, inspirado na organização das plantas para redesenhar cidades como organismos com inteligência e adaptabilidade.

A proposta coloca a cidade como conjunto urbano com capacidade de enfrentar a crise climática. A ideia é reduzir a distância entre humanos e plantas, promovendo uma interação mais orgânica com a natureza e reconhecendo o ser humano como parte de um ecossistema maior.

Mancuso, neurobiólogo e fundador do Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal da Universidade de Florença, defende que a evolução urbana passa pela presença das plantas dentro e fora de edificações. Uma fitópolis ideal poderia ter cobertura vegetal de 60% e acesso a um transporte público eficiente.

Entre as inspirações, o ecólogo Fabio Scarano, curador do Museu do Amanhã, aponta que toda forma de vida tem inteligência. O trabalho de Mancuso, segundo ele, pode incentivar mudanças de atitude em relação aos não humanos. Scarano ressalta que plantas ajudam oxigênio e alimentação.

Cidades amazônicas

Arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes Neves apresentou urbanismo indígena de 2,5 mil anos atrás no Acre. Entre 1,5 mil e 1 mil anos, a urbanização se expandiu pela Amazônia. O estudo aponta que a natureza não era excluída dos ambientes.

Neves critica o modelo paulista de urbanismo, que não preserva rios e áreas naturais. Segundo ele, bairros mais arborizados costumam coincidir com maior renda, enquanto a urbanização atual marginaliza populações pobres.

O pesquisador propõe cidades jardins como visão de futuro, com áreas de floresta entrelaçadas aos bairros. A ideia é trazer de volta a presença da floresta na configuração urbana.

Nêgo Bispo e o tema do seminário

O tema deste ano, Transfluências, remete ao pensamento de Nêgo Bispo, quilombola falecido em 2023. A programação integra a Semana do Meio Ambiente no Inhotim, o maior museu a céu aberto de arte contemporânea da América Latina.

Alitah Mariah, diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do Inhotim, explica que Nêgo Bispo trabalhou com confluência e transfluência. Segundo ela, o conceito envolve o fluxo de ideias entre humanos e não humanos.

Joana Maria, líder quilombola do Piauí, comenta que a confluência remete ao encontro de rios e que a transfluência envolve superar barreiras para cuidar do meio ambiente.

Ciência, tecnologia e natureza

A gestora cultural Ana Ochoa Acosta, do Parque Explora, em Medellín, afirma que natureza inclui o que produzimos com tecnologia. Reocupar o território envolve conviver com mundos orgânicos e inorgânicos.

Sue Anne Costa, bióloga do Museu Paraense Emílio Goeldi, destaca o encantamento com o território como base de decisões futuras. Ela aponta que a lógica atual privilegia aspectos produtivos e financeiros, necessária mudança.

Jardim Botânico de Inhotim

Inhotim, além de centro de arte contemporânea, funciona como jardim botânico que conserva mais de 1 mil espécies. O instituto regenerou 75 hectares de floresta nativa e mantém estoque de carbono de cerca de 34.2 mil toneladas, suficiente para cerca de 1,26 milhão de árvores urbanas.

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