- O navio Endurance, de Shackleton, está no fundo do mar na região de Weddell, a cerca de 3.000 metros de profundidade, após afundar em 1915; a embarcação foi encontrada em 2022.
- A mudança climática e o aumento do acesso de embarcações próximas podem ameaçar o estado de conservação do casco.
- Pesquisadores encontraram o que pode ser uma nova espécie de crustáceo que come madeira, vivendo sobre o casco, o que é incomum em águas da Antártica.
- O UK Antarctic Heritage Trust propôs tornar a área ao redor do Endurance a primeira zona subaquática especialmente protegida da região, para evitar danos futuros.
- A proposta precisa ser aprovada pela CCAMLR, que reúne 27 países e se reúne em setembro; até lá, mantém-se a expectativa de apoio entre membros como Coreia do Sul, Japão e Noruega.
A UK Antarctic Heritage Trust (UKAHT) propõe tornar o navio Endurance e as águas ao redor da área a primeira zona subaquática protegida da região. A medida visa preservar o navio, encontrado em 2022, frente às mudanças climáticas e ao aumento do tráfego de embarcações.
O Endurance permanece no leito oceânico, a cerca de 3 mil metros de profundidade, na zona da Antártida conhecida como meio da noite. A embarcação afundou em 1915 após ser esmagada pelo pack ice. Pesquisadores destacam que o local tem se mantido relativamente preservado.
O estudo recente aponta risco potencial à nau e ao ecossistema ao redor, caso o acesso de navios comerciais cresça com o recuo do gelo. Cientistas já identificaram um novo possibly crustáceo que se alimenta de madeira, auge de preocupação sobre a presença de madeira no habitat antártico.
O papel da proteção
A proposta foi aprovada, em Hiroshima, por autoridades que regulam atividades humanas na Antártida, mas depende da aprovação da CCAMLR. A Comissão, que reúne 27 Estados-membros, discute o tema na plenária de setembro.
A chefe executiva da UKAHT afirma que a iniciativa busca planejamento de longo prazo e que há consenso entre países sobre a importância da preservação do patrimônio cultural e natural. O debate envolve também o interesse de museus e pesquisadores.
Desafios e implicações
A proteção total proibiria a entrada na área sem condições rigorosas. Em permissão, a navegação até a região exigiria autorização de signatários do tratado da Antártida, com regras estritas para visitas e operações de mergulho.
Especialistas destacam que o Endurance pode se tornar um laboratório natural para entender impactos do aquecimento global, como recuo do gelo e entrada de espécies novas. Medidas preventivas buscam evitar a introdução de espécies invasoras.
Outro ponto levantado é a preservação da madeira, que permanece em estado comparável ao de quando a nave afundou. Pesquisadores ressaltam que mudanças climáticas podem permitir colonização de organismos que ainda não coexistiram com o ecossistema antártico de madeira.
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