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Busca para reconectar a floresta tropical ameaçada da África Ocidental

Em Nigré, Costa do Marfim, acordo visa ligar Taï a Grebo National Park, na Libéria, por corredor ecológico e agroflorestamento, abrindo habitat para bongos e elefantes

Leopard (Panthera pardus) in Taï National Park, Côte d’ivoire in 2026. Image courtesy of OIPR/EBURCO.
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  • Em Nigré, vila na Côte d’Ivoire, cientistas, conservacionistas e guardas florestais discutem ações para proteger Taï, a maior porção intacta de floresta do oeste africano.
  • O objetivo é criar um corredor ecológico entre Taï e o Parque Nacional Grebo, em Libéria, permitindo a passagem de animais como o elefante-do-bosque e o bongo.
  • A estratégia inclui reflorestamento em pequenas áreas de fazendas com consentimento dos moradores, agroflorestas e diversificação de culturas para reduzir a dependência do rubber (borracha).
  • Projetos estão previstos para envolver monitoramento da biodiversidade, pesquisa genética e uso de armadilhas-câmera para mapear presença animal e atividades ilegais.
  • A comunidade de Nigré já demonstrou interesse em pilots de reflorestamento, destacando a participação do chefe local como fator positivo para conservação.

The vilarejo de Nigré, no sudoeste da Costa do Marfim, recebe pesquisadores, conservacionistas e guardas de parques para discutir a proteção da Floresta de Taï. O encontro ocorre no quintal do chefe Djahi Bertin, em uma construção aberta.

Durante a visita, o grupo discute monitoramento da biodiversidade, apoio aos guarda-parques e a criação de um laboratório na Université Nangui Abrogoua, em Abidjan. Também há interesse em turismo de aventura sustentável.

Taï ocupa cerca de 5 mil km² e é o maior remanescente da floresta primária da região do Alto Guadani. A área sofre com a redução de cobertura florestal ao longo de décadas, estimada em cerca de 90%.

Objetivos da parceria

Representantes da ONG local EBURCO e da Leadership for Conservation in Africa, com apoio do OIPR, trabalham para fortalecer a atuação dos guardas, ampliar o monitoramento da biodiversidade e promover pesquisas genéticas.

Outra meta é ligar Taï ao Parque Nacional Grebo, em Liberia, criando um corredor ecológico de até 4 quilômetros entre Nigré e a fronteira. O projeto permitiria a passagem de animais, especialmente o elefante-da-floresta e o bongô.

Agrofloresta e ganhos locais

Michele Menegon, da LCA, cita um modelo similar já aplicado na África Oriental, com áreas de agroflorestas que geram crédito de carbono e renda para moradores. Em Nigré, a ideia é mesclar cultivo nativo com culturas diversas para reduzir a monocultura de borracha.

Christine Kouman, cientista ambiental e presidente da EBURCO, relata interesse de moradores de Nigré e da vizinha Youkou em projetos-piloto de reflorestamento. O chefe Bertin destaca a participação comunitária como essencial.

Conservação e monitoramento

A proteção de ungulados, como o bongô, é central para a saúde do Taï: a área abriga pelo menos 14 espécies. A caça ilegal ainda ocorre, mas o patrulhamento tem sido mais eficaz, reduzindo atividades de caça de pequeno porte.

OIPR e parceiros planejam instalar armadilhas-eletrônicas em quatro grandes trechos de Taï para mapear a presença de fauna e atividades ilegais, orientando rondas de patrulha.

Perspectivas futuras

Ao fim da cerimônia, Bertin comenta a importância de projetos de reflorestamento que integrem áreas de produção agrícola com floresta. A meta é manter comunidades rurais fora da mata, reduzindo pressões de caça.

A conversa também envolve perspectivas de diversificação de renda, com cultivo de pimentas e outras culturas de ciclo mais curto, para sustentar a população local e sustentar a conservação.

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