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Ciclone reduz população de um dos macacos mais raros do mundo

Deslizamentos provocados pelo ciclone Senyar ceifaram 58 orangotangos-de-Tapanuli, 11% da população local e 7% da espécie, além de perda de 8.300 hectares de floresta

Os orangotangos de Tapanuli são a espécie de grandes símios mais ameaçada de extinção
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  • O ciclone Senyar, que atingiu Sumatra em novembro de 2025, provocou deslizamentos de terra e deixou cerca de cinquenta e oito orangotangos-de-Tapanuli mortos.
  • Isso representa aproximadamente onze por cento da população local e sete por cento do total da espécie viva na natureza.
  • O desastre ocorreu em uma área montanhosa onde vivem cerca de oito centenas de indivíduos, em Batang Toru, com chuvas acima de mil milímetros em alguns locais entre 23 e 28 de novembro.
  • Além das mortes, os deslizamentos destruíram cerca de 8.300 hectares de floresta, representando cerca de 11,7% da cobertura florestal da região ocidental de Batang Toru.
  • Pesquisadores apontam que mudanças climáticas aumentaram em cerca de cinquenta por cento a intensidade das chuvas associadas ao ciclone, elevando a urgência de ações de conservação e de financiamento internacional para proteger a espécie.

Um ciclone que atingiu Sumatra entre 23 e 28 de novembro de 2025 provocou chuvas recordes na região de Batang Toru, causando dezenas de deslizamentos de terra. A tempestade contribuiu para a morte de parte da população selvagem dos orangotangos-de-Tapanuli, considerado o grande primata mais ameaçado do mundo.

Estima-se que aproximadamente 58 orangotangos-de-Tapanuli morreram nos deslizamentos. O dano representa 11% da população local e 7% de todos os indivíduos da espécie que vivem na natureza, segundo estudo publicado na revista Current Biology. O registro envolve apenas cerca de 800 indivíduos na natureza.

Erik Meijaard, do Borneo Futures, descreveu a perda como substancial para uma espécie de tamanho tão reduzido. Ele aponta que a tragédia aumenta a necessidade de um plano de ação coordenado e de financiamento para a conservação. Além disso, o estudo associa a queda populacional a pressões contínuas como degradação de habitat e conflitos entre humanos e animais.

Deslizamentos destruíram cerca de 8.300 hectares de floresta, o equivalente a 11,7% da cobertura florestal do bloco oeste de Batang Toru. A perda de habitat pode comprometer a recuperação populacional dos orangotangos nos próximos anos, segundo pesquisadores.

Mudanças climáticas ampliaram o impacto do evento. Atribuição climática indica que o aquecimento global elevou em cerca de 50% a intensidade das precipitações associadas ao ciclone Senyar, contribuindo para o volume extremo de água e os deslizamentos.

Após o desastre, o governo da Indonésia suspendeu temporariamente projetos de mineração, expansão da palma de óleo e empreendimentos hidrelétricos na região. Pesquisadores veem a suspensão como oportunidade para revisar políticas de ocupação territorial e incorporar avaliações de risco climático à conservação.

O caso dos orangotangos-de-Tapanuli evidencia a interseção entre mudanças climáticas, perda de biodiversidade e degradação de ecossistemas. Especialistas alertam para a possibilidade de episódios similares em outras áreas, com eventos climáticos extremos tornando-se mais frequentes.

Mudanças climáticas ampliaram a tragédia

  • Aumento da intensidade de chuvas pode aumentar riscos de deslizamentos em áreas montanhosas com floresta antiga.
  • Estimativas baseadas em imagens de satélite e dados populacionais ajudam a dimensionar impactos demográficos para a espécie.

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