- Estudos indicam que fatores genéticos influenciam apetite, saciedade e predisposição à compulsão alimentar, aliados a fatores ambientais e de hábito.
- Pesquisa de 2025 com quase 3 mil adultos da região metropolitana de São Paulo mostrou que 4,7% tiveram transtorno da compulsão alimentar ao longo da vida e 9% relataram episódios recorrentes.
- A condição foi mais comum entre mulheres e adultos mais jovens, e quem tem compulsão apresentou mais hipertensão, dores crônicas, artrite, doenças pulmonares e distúrbios gastrointestinais.
- Genes como FTO, MC4R, DRD2 e OPRM1 afetam regulação do apetite, metabolismo, saciedade e sistemas de recompensa cerebral.
- Além da genética, o ambiente dificulta o controle alimentar: dieta com ultraprocessados aumenta a ingestão calórica; estudo do NIH mostrou ganho de 508 calorias diárias e peso médio de 0,9 kg em duas semanas.
A genética pode influenciar a relação com a comida, inclusive a compulsão alimentar. Estudos mostram que o apetite, a saciedade e a busca por alimentos saborosos variam entre indivíduos, em parte por fatores genéticos.
Fatores ambientais e hábitos também pesam. Pesquisas indicam que o ambiente alimentar pode intensificar ou conter esses gatilhos biológicos, especialmente em contextos de festas populares como juninas.
Um estudo de 2025 com quase 3 mil adultos da região metropolitana de São Paulo revelou que 4,7% já mantelham transtorno da compulsão alimentar ao longo da vida e 9% tiveram episódios recorrentes. Mulheres e adultos jovens apresentaram maior prevalência.
Genética e mecanismos
Variantes de genes envolvidos na fome, saciedade e recompensa cerebral aparecem associadas a padrões de alimentação. Genes como FTO, MC4R, DRD2 e OPRM1 são citados como relevantes para apetite, metabolismo e busca por comidas altamente palatáveis.
Outras variantes, como FTO rs9939609 e MC4R rs17782313, aparecem relacionadas a diferenças na resposta aos estímulos de recompensa e ao controle de peso. A genética, no entanto, não determina comportamento alimentar.
Ambiente e políticas de alimentação
Além da genética, o ambiente influencia fortemente. O consumo de ultraprocessados está ligado ao aumento calórico diário e a desfechos metabólicos desfavoráveis. Em estudo do NIH, dieta rica nesses itens elevou a ingestão em 508 calorias/dia e peso médio ganhou 0,9 kg em duas semanas.
Neurociência aponta que açúcar e gordura ativam circuitos de recompensa, liberando dopamina. Esse mecanismo pode manter o consumo mesmo após a saciedade física, reforçando padrões de compulsão.
Caminhos para a saúde pública
Especialistas destacam que testes genéticos podem ajudar a entender predisposições e apoiar estratégias personalizadas de nutrição. Eles ressaltam que a avaliação clínica deve considerar fatores emocionais, culturais e sociais.
Resultados reforçam a necessidade de identificar precocemente transtornos alimentares e acompanhar pacientes com maior risco. A associação entre genética, ambiente e comportamento demanda abordagens integradas de saúde.
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