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Botânico italiano propõe substituir ruas por árvores, inspirado em brasileiro

Stefano Mancuso propõe fechar 20% das vias para árvores, defendendo cidade mais verde e redução de calor, citando Curitiba como exemplo

Neurobiólogo Stefano Mancuso em São Paulo
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  • O neurobiólogo italiano Stefano Mancuso esteve em São Paulo para a Feira do Livro e lançou o livro Fitópolis, que propõe cidades-ecossistema inspiradas no funcionamento das plantas.
  • Ele defende que, em cidades tropicais, é possível transformar até vinte por cento das vias em ruas de árvores para substituir o asfaltamento impermeável, com planejamento urbano adequado.
  • O argumento usa exemplos como Curitiba, com Jaime Lerner, e diz que, na Europa, áreas de pedestres já são comuns em muitas cidades.
  • A proposta não é considerada radical, afirma Mancuso; os benefícios para clima, saúde e bem-estar devem superar as resistências iniciais.
  • Em Fitópolis, a cidade seria difusa, com cerca de quarenta por cento de cobertura de árvores e equilíbrio entre espécies, buscando um ecossistema estável para enfrentar mudanças climáticas.

O neurobiólogo italiano Stefano Mancuso esteve em São Paulo pela primeira vez para participar da Feira do Livro, no dia 4 do evento. Em entrevistas, ele afirmou que, para avaliar uma cidade, observa principalmente a disponibilidade de livrarias e de árvores. Ao cidade verde, ele atribui maior qualidade de vida e resistência climática.

Durante a visita, Mancuso comentou que cidades tropicais podem transformar ruas em corredores de árvores em poucos meses, substituindo asfalto impermeável e reduzindo a circulação de veículos. Ele disse acreditar que até 20% das vias poderiam ser reaproveitadas, com planejamento urbano adequado.

Conceito Fitópolis

Conhecido pela obra A Revolução das Plantas e pelo recém-lançado Fitópolis, o pesquisador defende um design urbano inspirado no funcionamento das plantas. Segundo ele, as cidades devem funcionar como ecossistemas estáveis, com diversidade de espécies semelhante à natural, seguindo o que chama de leis vegetais.

Ele explicou que ainda não há uma fitópolis no mundo, mas que o conceito não é utopia. A ideia é construir cidades com maior contato entre pessoas e serviços, sem reduzir a qualidade de vida, justamente por meio da integração entre infraestrutura e natureza.

Implementação e exemplos

Mancuso citou que, na prática, cortar 20% das ruas para plantar árvores seria viável, inclusive lembrando um exemplo de Curitiba, quando o prefeito Jaime Lerner promoveu áreas de pedestres. Segundo ele, várias cidades europeias já adotam áreas sem tráfego para veículos.

Em relação às obras de infraestrutura, o neurobiólogo destacou a necessidade de equilibrar investimentos com o transporte público. Ele afirmou que melhorias nessa área justificam cortes de árvores quando o objetivo é ampliar o transporte coletivo e reduzir impactos ambientais.

No Brasil e além

Ao falar sobre o Brasil, Mancuso apontou casos que, a seu ver, sinalizam avanços na direção de cidades mais verdes. Paris e Londres foram citadas como exemplos de incremento de áreas verdes e restrições ao uso do automóvel, com impactos positivos na mobilidade e no ambiente urbano. Em Florença, onde reside, ele pratica o hábito de usar alternativas ao carro quando possível.

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