- A empresa Real Ice, com financiamento do governo britânico, pumpou água do mar para a superfície do gelo no Ártico, em Cambridge Bay (Ikaluktutiak), e o gelo ficou cerca de 50 cm mais grosso (+/- 1,5 m para 2,0 m) após testes realizados cinco meses atrás.
- O experimento ocorreu em condições extremas de frio, com medições contínuas de temperatura, salinidade, estrutura do gelo e reflexividade, além de monitoramento por drone.
- Resultados iniciais mostram área testada como ilha de gelo branco em mar azul, com relatos de que duas rodadas de bombeamento aumentaram a espessura e a refletividade do gelo, potencialmente abrindo espaço para mais dias de vida do gelo.
- Pesquisadores planejam escalonar o uso de drones submarinos para ampliar a intervenção de forma mais econômica, estimando custo de cerca de 10 bilhões de dólares ao longo do tempo para frear o recuo do gelo ártico.
- A comunidade inuit de Cambridge Bay apoiou o projeto, destacando que o gelo é essencial para transporte e subsistência; ainda não há oposição observada localmente e a iniciativa visa aprender com os inuit e considerar impactos ecológicos.
O projeto de reespessamento do gelo ártico, conduzido pela Real Ice com financiamento do governo britânico, avança em Cambridge Bay, no norte do Canadá. A iniciativa envolve bombeamento de água do mar para a superfície do gelo, com o objetivo de aumentar a espessura do pack e retardar o degelo.
Em campo, a equipe registrou resultados promissores: ao todo foram bombeados 50 mil toneladas de água há cinco meses, o que elevou a espessura do gelo em aproximadamente 50 cm, após condições de frio extremo. O efeito inicial ocorreu ainda no início da temporada de derretimento.
As medições abrangem temperatura a cada 2 cm, perfis de salinidade, estrutura do gelo e análises biológicas. Um drone sobrevoa a área com resolução de até 5 cm para mapear o recobrimento branco. O sítio fica a poucos quilômetros da aldeia inuit Ikaluktutiak.
O sentido prático da experiência envolve não apenas medir a viabilidade técnica, mas também entender impactos ecológicos e operacionais. Especialistas da Universidade de Washington acompanham as amostras para avaliar refletividade e salinidade.
Para os traficantes locais, o gelo continua essencial: transporte, caça e atividades comunitárias dependem dele. A comunidade de Cambridge Bay atuou de forma colaborativa, com aprovação de autoridades locais e da organização de caçadores e armadores Inuit.
Outra linha de pesquisa envolve drones submarinos autônomos, testados na Baía da Finlândia e em desenvolvimento com instituições italianas. A ideia é ampliar a cobertura da intervenção com menos necessidade humana em condições extremas.
Analistas destacam que geoprojetos desse tipo carregam riscos ambientais e éticos. Embora haja apoio local e científico, críticos alertam para possíveis efeitos colaterais, como alterações na ecologia marinha e riscos de dependência de soluções técnicas.
Os especialistas ressaltam que a viabilidade em grande escala ainda é incerta. O objetivo é compreender a física do processo, avaliar custos e discutir se governos, comunidades e políticas aceitariam expandir a técnica.
A equipe afirma que o estudo busca responder se a espessura adicional de gelo é eficaz, quais efeitos colaterais existem e se o método pode ser economicamente escalonado. O tema permanece em avaliação contínua. Fonte: The Guardian.
Observação: o texto descreve etapas de pesquisa em andamento e não representa conclusão sobre eficácia ampla ou replicação em outras regiões. Créditos à reportagem original.
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