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Estrelas que engoliram planetas são identificadas por técnica inovadora

Estrelas que engoliram planetas são identificadas por berílio, sugerindo que sistemas estáveis com vida podem ser menos comuns no Universo

Imagem de sistema binário, par de duas estrelas, no qual a que se encontra em primeiro plano está absorvendo um planeta que orbitava ao seu redor, tendo ao fundo um céu estrelado
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  • Cientistas identificaram uma nova forma de detectar estrelas que engoliram planetas com base na abundância de berílio em apenas uma estrela de um sistema binário.
  • O estudo analisou as estrelas HD 129171 e HD 129209, usando o espectrógrafo UVES no Very Large Telescope, no Observatório Europeu do Sul, no Chile.
  • Constatou-se que a estrela primária, HD 129171, é mais rica em elementos refratários (incluindo berílio e lítio) do que a secundária, sugerindo ingestão de material rochoso.
  • A diferença química entre as estrelas pode indicar que planetas foram engolidos, já que esses elementos não são produzidos no interior estelar e se mantêm por mais tempo quando o berílio é detectado.
  • Os autores discutem implicações para a compreensão de sistemas planetários estáveis e da possibilidade de vida, sugerindo que a ingestão planetária pode tornar tais sistemas menos comuns do que se pensava.

Cientistas identificaram um novo sinal de ingestão planetária ao analisar a composição química de estrelas. O grupo, liderado por Anne Rathsam do IAG/USP, usou apenas o elemento berílio para detectar engolimento de planetas em sistemas estelares.

A pesquisa envolveu colaboradores da Polônia, Austrália, China e Itália. O estudo analisa o par binário HD 129171/HD 129209, usando dados de espectrógrafia para comparar abundâncias químicas entre as duas estrelas. A equipe busca entender a origem de diferenças na composição.

O trabalho utiliza dados do espectrógrafo UVES no Very Large Telescope, no Chile. Foram medidas quantidades de lítio, berílio e outros elementos para HD 129171 e HD 129209, buscando sinais de engolimento planetário.

Conforme as diferenças aparecem principalmente entre elementos refratários, os pesquisadores interpretam que a ingestão de um planeta rochoso pode ter aumentado o berílio na estrela HD 129171. O lítio também reforça essa leitura, embora seja mais sensível às condições estelares.

Os resultados sugerem que sistemas planetários estáveis semelhantes ao nosso podem ser menos comuns do que se pensava. A presença de planetas engolidos em binários apontaria para configurações orbitais instáveis comuns em outras regiões do Universo.

A hipótese é que, se as diferenças químicas entre estrelas de pares binários derivarem da ingestão de planetas, muitos sistemas estelares teriam migrado ou engolido corpos celestes ao longo de sua evolução. Isso impacta estimativas sobre a frequência de mundos habitáveis.

O estudo, descrito no artigo Planet engulfment in the chemically anomalous HD 129171/HD 129209 pair, reúne pesquisadores de instituições brasileiras, italianas, polonesas, chinesas e australianas. O financiamento foi da Fapesp.

Entre os sinais observados, a estrela primária HD 129171 apresentou maior enriquecimento em elementos refratários e em berílio, compatível com ingestão planetária. Os dados abrem caminho para identificar engolimentos a partir das abundâncias de berílio.

Autoras incluem Anne Rathsam (IAG/USP), Jorge Meléndez, Rodolfo Smiljanic, Fan Liu e Lorenzo Spina. A equipe cita que a técnica pode permitir localizar estrelas que engoliram planetas apenas pela química estelar, sem observações diretas de exoplanetas.

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