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Excesso de telas pode confundir sintomas de TDAH em crianças

Especialista explica que hiperestimulação digital fragmenta a atenção de crianças e adolescentes, prejudica a metacognição e pode confundir desatenção com TDAH

Alguns comportamentos associados ao TDAH podem estar relacionados ao uso excessivo de telas
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  • Neurocientistas dizem que excesso de telas pode confundir sintomas de TDAH em crianças e adolescentes, devido à hiperestimulação digital.
  • A exposição constante a vídeos curtos e recompensas rápidas eleva dopamina, fragmentando a atenção e prejudicando a metacognição, que é pensar sobre o próprio pensamento.
  • O cérebro em desenvolvimento depende do córtex pré-frontal dorsolateral para controle executivo, memória de trabalho e autorregulação; estímulos rápidos podem prejudicar essas funções.
  • Nem toda desatenção é TDAH; hábitos digitais inadequados podem simular sinais clínicos, levando à medicalização indevida de cérebros hiperestimulados.
  • Recomenda-se desintoxicação digital: reduzir telas, investir em atividades analógicas, leitura, esportes e interação presencial para preservar o desenvolvimento neurocognitivo.

A hiperestimulação digital pode confundir sintomas associados ao TDAH em crianças e adolescentes, aponta o neurocientista Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues. Research indica que a exposição contínua a vídeos curtos e recompensas imediatas favorece padrões de atenção fragmentada e prejudica a metacognição.

Segundo o especialista, o cérebro em desenvolvimento passa por maturação cortical. O consumo intenso de conteúdos digitais ativa vias dopaminérgicas ligadas ao sistema de recompensa, o que pode levar a um modelo de estímulo-resposta e reduzir a tolerância ao tédio, afetando memória de trabalho e autorreflexão.

Essa mudança tem sido observada por educadores e famílias. Em avaliações escolares, alunos costumam ter dificuldade para avaliar o próprio desempenho, o que indica possível impacto na memória de trabalho e no processamento consciente da experiência.

Nem toda desatenção é TDAH, ressaltam especialistas. O transtorno tem critérios clínicos e base genética bem definidos, mas hábitos digitais inadequados podem mimetizar sintomas. O alerta é sobre medicalizar cérebros hiperestimulados e o risco de desproporção entre diagnóstico e realidade neuropsicológica.

Cérebro e tédio saudável

O uso constante de celulares pode reduzir momentos de introspecção importantes para o desenvolvimento cognitivo. A redução de estados de vazio favorece menos ativação da Default Mode Network, associada à introspecção e à construção narrativas internas.

O pesquisador também destaca impactos na memória autobiográfica e na criatividade. Períodos sem estímulo externo ajudam a ativar redes neurais que promovem reflexão crítica e reorganização neural.

Desintoxicação digital como estratégia preventiva

Entre as estratégias sugeridas estão a redução do tempo de tela, atividades analógicas, leitura física, prática esportiva e interação social presencial. A tecnologia continua sendo uma ferramenta valiosa, desde que o padrão de uso não domine a atenção.

Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues enfatiza que o problema não é a tecnologia em si, e sim o consumo crônico de estímulos. Sem silêncio cognitivo, afirma, não há profundidade reflexiva.

Por Angela Rocha

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