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Pesquisadora brasileira Fernanda Abra vence prêmio global da National Geographic

Fernanda Abra vence o Wayfinder Award da National Geographic pelo Projeto Reconecta, que usa pontes de dossel para conectar copas e reduzir impactos das rodovias

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  • Fernanda Abra foi uma das quinze vencedoras do Wayfinder Award da National Geographic Society em junho de dois mil e vinte e seis, recebendo cinquenta mil dólares e acesso a novas oportunidades de financiamento.
  • O reconhecimento destaca o Projeto Reconecta, que busca tornar a infraestrutura viária menos impactante para a vida silvestre, com foco na Amazônia.
  • Desde dois mil e vinte e um, pontes de dossel suspensas conectam copas de árvores sobre rodovias, já registrando mais de vinte mil travessias seguras por diversas espécies.
  • Em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, câmeras identificam deslocamentos de macacos, saguis e outros animais, inclusive fêmeas com filhotes usando as pontes.
  • Na BR-174, foram instaladas trinta e duas pontes de dossel em parceria com o DNIT, a UFAM e comunidades indígenas; o DNIT passou a recomendar esse desenho como padrão para rodovias federais em dois mil e vinte e seis.
  • Fernanda é cofundadora do Instituto Reconecta e da consultoria ViaFAUNA, além de pesquisadora associada do Smithsonian National Zoo and Conservation Biology Institute e do IPÊ.

Fernanda Abra, pesquisadora brasileira de conservação, ganhou o Wayfinder Award 2026, da National Geographic Society. A premiação reconhece 15 Exploradores selecionados, que recebem 50 mil dólares e apoio a novos financiamentos. A honra destaca o Projeto Reconecta.

A pesquisadora atua para reduzir os impactos das rodovias na vida silvestre, especialmente na Amazônia, por meio de estratégias que minimizam a fragmentação de habitats. O foco é tornar as obras de infraestrutura menos disruptivas para a fauna.

As pontes de dossel são a solução mais conhecida do trabalho. Estruturas suspensas conectam copas de árvores e permitem a passagem segura de primatas, marsupiais, roedores e outros animais arborícolas sobre as vias. Desde 2021, dezenas já foram instaladas.

Em Alta Floresta, Mato Grosso, câmeras registraram milhares de deslocamentos de espécies, incluindo macacos e o sagui de Schneider. Fêmeas com filhotes foram observadas cruzando pelas pontes, sinal de integração da fauna local ao desenho.

No Brasil, o Projeto Reconecta atua também na BR-174, entre Manaus e Boa Vista, na Terra Indígena Waimiri-Atroari. Em parceria com DNIT, UFAM e comunidades indígenas, 32 pontes de dossel foram implantadas. O monitoramento ocorre com participação direta dos povos.

Em 2026, o DNIT passou a recomendar o modelo de pontes como padrão para rodovias federais. Para Abra, o reconhecimento internacional reforça que a conservação depende de ações coletivas, com participação de comunidades e instituições.

A pesquisadora é cocriadora do Instituto Reconecta e da ViaFAUNA, e atua como pesquisadora associada no Smithsonian National Zoo and Conservation Biology Institute, em Washington, além do IPÊ, em Nazaré Paulista. Esses vínculos fortalecem a rede de atuação.

O reconhecimento ocorreu em junho de 2026, elevando o perfil do projeto no cenário global. A premiação consolida a visão de que infraestrutura pode conviver com a biodiversidade sem perder a conectividade ecológica.

O estudo aponta que, além das pontes de dossel, outras medidas são necessárias como túneis, cercas direcionadoras e redutores de velocidade. A equipe mantém que preservação florestal continua indispensável para a segurança da fauna.

Com o prêmio, o Reconecta planeja expandir ações para novas regiões. A próxima etapa envolve pontes em Lucas do Rio Verde, também no Mato Grosso, além de ampliar a atuação em outras áreas do país.

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