- Um estudo publicado na Nature afirma que a câmara de cera criada pelas operárias para a futura rainha pode influenciar seu desenvolvimento, não apenas a dieta.
- A pesquisa foca na abelha-europeia (Apis mellifera) e descreve a chamada “incubadora inteligente” na célula real, com condições físicas e químicas distintas.
- A cera da célara real é mais macia, derrete a uma temperatura diferente e emite um aroma químico único, que pode atuar como gatilho hormonal.
- Larvas expostas apenas à cera comum apresentam desenvolvimento mais fraco para rainha e maior mortalidade, sugerindo a necessidade do toque e do cheiro da cera real.
- Os autores destacam que esse comportamento indica que a colônia funciona como um superorganismo, e que entender esse processo pode ajudar a criar rainhas mais saudáveis para a apicultura.
A pesquisa mostra que a construção de uma câmara de cera para a futura rainha pode influenciar seu desenvolvimento. O estudo, publicado no dia 3 de junho na revista Nature, foca na abelha-europeia (*Apis mellifera*) e na função dessa estrutura construída pelas operárias. A hipótese anterior enfatizava apenas a dieta; agora, aponta para o papel da “incubadora inteligente” criada pela colônia.
Segundo os autores, a câmara real não é apenas um recipiente. Ela oferece condições físicas e químicas distintas, com paredes mais macias, temperatura torácica elevada nas abelhas que a produzem e um conjunto de sinais químicos que pode atuar como gatilho para o desenvolvimento da larva rumo à rainha. A cera dessa célula tem propriedades diferentes das demais células da colmeia.
A equipe liderada por Kai Wang aponta que, apesar de a geleia real ser fornecida à larva, as larvas expostas à cera das células reais apresentam menor chance de se tornar rainha quando isoladas de os sinais do ambiente da câmara. A presença dessa cera especial parece complementar a alimentação para guiar o caminho reprodutivo da larva.
Os resultados indicam que as abelhas que constroem as células reais exibem temperaturas torácicas acima de 39 graus Celsius durante o processo e mostram expressão gênica distinta. Os cientistas descrevem as criadoras dessas estruturas como operárias jovens que, em função emergencial, assumem temporariamente essa tarefa, mantendo ainda atividades habituais da colmeia.
A pesquisa abre caminho para entender o que seria o “interruptor molecular” que indica à larva rainha que ela deve seguir esse destino. Os autores ressaltam que o achado não identifica ainda o componente exato da cera envolvido, mas reforça a ideia de que o ambiente da colônia é determinante para o desenvolvimento.
Especialistas externos destacam o potencial da descoberta para a apicultura. A identificação de fatores que contribuem para rainhas saudáveis pode ajudar a manter colônias mais resilientes diante de perdas registradas por apicultores ao redor do mundo. A visão apresentada é de que a colônia funciona como um superorganismo, capaz de moldar individualidades a partir de condições coletivas.
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