- O desequilíbrio de ecossistemas no Brasil aumenta o contato com hospedeiros de vírus desconhecidos, elevando o risco de o país virar epicentro de uma próxima pandemia.
- A OMS aponta ameaças de vírus graves, como Ebola, Marburg, Coronavírus e outros grupos virais, destacando a necessidade de vigilância global contínua.
- O isolamento político e o corte de financiamento de organismos internacionais podem fragilizar a resposta global a surtos e a prevenção de pandemias.
- No Brasil, estudo da USP sobre o vírus Sabiá indica que esse Arenavírus circula no ecossistema há 142 anos, com variações genéticas preocupantes.
- A governança de novos patógenos passa pela cooperação internacional, pelo fortalecimento do SUS e pela soberania científica brasileira, com ações como o Grupo SAGO/OMS e o Projeto Orion.
Ao romper ecossistemas profundos, o Brasil amplia o contato com hospedeiros de vírus desconhecidos, elevando o risco de uma nova pandemia. Especialistas alertam que o país pode deixar de ser apenas vítima para tornar-se epicentro de uma crise global.
A OMS monitora patógenos com maior potencial de desencadear surtos, entre eles filovírus, coronavírus, arenavírus e outras famílias. O alerta ganha peso diante de degradação ambiental e ações políticas que afetam vigilância sanitária.
A retirada de apoio à OMS por alguns países e o enfraquecimento de agências de controle nos EUA ampliam incertezas sobre a resposta internacional. Financiamento está ligado à capacidade de prevenção.
O papel da ciência brasileira
No Brasil, o reconhecimento à ciência é evidenciado pela nomeação de pesquisadores a cargos de destaque na OMS. A prática mostra a importância da atuação técnica frente a crises sanitárias.
Estudos brasileiros, como os coordenados pela USP, indicam a circulação de vírus perigosos no ecossistema nacional há séculos, com variações genéticas que exigem monitoramento contínuo.
Diversas obras de infraestrutura sem salvaguardas ambientais, incluindo melhorias em rodovias na Amazônia, são apontadas como fatores que aumentam os riscos de spillover. Vigilância permanece essencial.
Novos patógenos e governança global
A OMS atua pelo SAGO para integrar saúde humana, animal e ambiental. Brasil integra o grupo com participação de pesquisadores de destaque, visando coordenar respostas iniciais a surtos.
Publicações internacionais ressaltam a necessidade de governança ecológica e laboratorial desde os primeiros dias de um surto. Um marco é ampliar a capacidade de resposta sem atrasos.
O Brasil sustenta uma linha de frente com Fiocruz e Butantan, além de planos como o projeto Orion, que prevê laboratórios de alta biosseguridade. A cooperação global amplia o arsenal técnico.
Investimento e soberania científica
O fortalecimento do SUS depende de apoio contínuo a agências de fomento, como CNPq, Finep e Ministérios. Investimento em pesquisa básica é estratégico para proteção da população.
Atração de talentos internacionais e parcerias com instituições globais devem crescer, ampliando tecnologias para prevenir doenças graves como Ebola, Marburg e Sabiá.
A cooperação com universidades e centros de excelência internacionais precisa ser ampliada e bem financiada para sustentar a soberania científica brasileira.
Renato Cordeiro é Professor Emérito, Fiocruz.
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