- O Grupo Boticário não testa seus produtos em animais e usa pele 3D criada a partir de tecido humano descartado para avaliar segurança e desempenho, incluindo várias tonalidades de pele.
- O centro de inovação em São José dos Pinhais (Curitiba) desenvolve pele 3D in vitro desde 2012, simulando derme e epiderme com consentimento do doador.
- Além da pele, a companhia criou métodos para biossegurança, como córnea humana reconstruída, e já soma mais de cinquenta e nove metodologias alternativas, incluindo ferramentas digitais e IA preditiva.
- Em 2025, o grupo captou dois bilhões de reais em títulos sustentáveis, sendo 1,625 bilhão destinados a métodos alternativos de testes e divulgação científica, com metas de reduzir emissões até 2034.
- Durante a visita, máquinas de purificação ganharam apelidos de divas pop, como Taylor Swift, Beyoncé, Madonna, Ariana Grande e Anitta, para facilitar a identificação entre os equipamentos.
Desde 2001, o Grupo Boticário não realiza testes em animais. Hoje, a empresa cria pele 3D a partir de tecido humano descartado e desenvolve metodologias alternativas para avaliar efeitos de produtos na pele, olhos e no ambiente. A EXAME visitou o centro de inovação em São José dos Pinhais (PR).
O laboratório produz pele 3D in vitro, replicando derme e epiderme com células humanas. O objetivo é testar eficácia e segurança de cosméticos sem recorrer a animais, respeitando a autorização do doador do tecido utilizado. A técnica utiliza pele em seis tons diferentes e várias idades.
O centro também desenvolve métodos para córnea humana reconstruída, avaliando irritação ocular. Hoje são mais de 59 metodologias alternativas, que vão de modelos de pele a ferramentas digitais para avaliação de moléculas. O investimento em pesquisa é contínuo.
Em 2025, o Grupo Boticário captou 2 bilhões de reais em títulos sustentáveis, com parte destinada a ampliar métodos alternativos de testes. A meta é evoluir de 59 para 70 métodos até 2030 e divulgar 12 novas técnicas, com foco em redução de emissões.
Uma das metodologias utilizadas é a bioimpressão 3D, que substitui tinta por materiais biológicos como células e proteínas. O método permite incluir características como folículos capilares, ampliando a fidelidade dos testes para o consumidor final.
A inovação envolve ainda o uso de inteligência artificial preditiva para avaliar efeitos sistêmicos, incluindo irritação na pele e impactos ambientais. A equipe afirma que os modelos digitais ajudam a prever riscos com maior precisão.
Divas pop no laboratório
Durante a visita, câmeras registraram imagens de cantoras famosas coladas aos equipamentos de purificação. As peças recebem nomes de divas pop para facilitar a referência interna, mantendo a prática de não divulgar códigos completos das máquinas.
Entre as homenageadas, estão Rihanna, Beyoncé, Anitta e Ariana Grande, além de Madonna. A gerente de segurança de produto comenta que a chegada de novos equipamentos é marcada pela designação de nomes de artistas, como Taylor Swift.
Essa cultura de nomenclatura não interfere nos resultados. Especialistas do laboratório explicam que os sistemas de purificação funcionam com padrões técnicos rigorosos, independentemente do apelido utilizado.
Impacto ambiental e avaliação de risco
A área de inovação também avalia contaminantes liberados por cosméticos na água. A metodologia I.A.R.A mede o risco ambiental, levando em conta ecotoxicidade e bioacumulação. Se o composto apresentar alto risco, o item precisa ser reavaliado.
O processo utiliza amostras digitais para testar segurança de diferentes espécies, incluindo peixes e corais. O objetivo é evitar danos a rios e mares, mantendo padrões de sustentabilidade exigidos pelo grupo.
Um teste completo de impacto ambiental pode levar até 30 dias, com base na mudança de cor das amostras, que varia de transparente a verde. Resultados indicam o potencial de dano e orientam ajustes de formulação.
Panorama institucional
O Centro de Inovação em São José dos Pinhais funciona como fonte de produção de cosméticos no Brasil, abrangendo creme, maquiagem e perfume. A abordagem integrada utiliza dados experimentais, digitais e de biossegurança para ampliar a segurança do portfólio.
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