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Maior escorpião já registrado atingia 1 m de comprimento

Fósseis identificam Praearcturus gigas como o maior escorpião já conhecido, com até um metro de comprimento, possivelmente devido à ausência de grandes predadores da época

Reconstrução de Praearcturus gigas, uma espécie de escorpião do Devoniano Inferior
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  • Cientistas reclassificaram fósseis guardados há mais de cento e cinquenta anos como pertencentes à espécie Praearcturus gigas, o maior escorpião já conhecido, com cerca de um metro de comprimento.
  • O estudo, publicado na revista Palaeontology, sustenta que o tamanho gigantesco ocorreu possivelmente porque não havia predadores relevantes para limitá-lo.
  • Os fósseis estavam no Museu de História Natural de Londres e foram reinterpretados com tomografias, câmara lúcida e comparação com outros Devonianos Inferiores.
  • Pesquisas indicam que o animal caçava na água, possuía estruturas em forma de nadadeira no abdômen e evidências de estridulação nos membros.
  • A descoberta traz implicações para a evolução dos artrópodes, sugerindo que o ancestral pode ter saído da água e, em seguida, retornado, com fósseis possivelmente persistindo por tens de 40 milhões de anos.

O maior escorpião já conhecido, com cerca de 1 metro de comprimento e pinças superiores a 16 cm, teve sua identidade confirmada por meio de Fosséis encontrados no Reino Unido. Os fósseis, guardados há mais de 150 anos, foram reinterpretados por uma equipe da Universidade de Manchester e do Museu de História Natural de Londres.

O gênero Praearcturus gigas recebeu a confirmação científica após décadas de dúvida sobre sua posição taxonômica. Em 1871, Henry Woodward descreveu os restos como de um crustáceo gigante, enquanto estudos posteriores chegaram a hipóteses de escorpião, sem evidências completas. Novas técnicas ajudaram a esclarecer o caso.

Em 2015, um estudo sobre Eramoscorpius mostrou estruturas anatômamente-chave, como um esterno triangular com sulco central, que permitiu confirmar a afinidade com escorpiones. A equipe britânica utilizou tomografias computarizadas, câmaras lúcida e comparação com fósseis do Devoniano Inferior para sustentar a reclassificação.

Gigantismo em era pré-oxigênio

Os autores destacam que Praearcturus gigas viveu há cerca de 415 milhões de anos, período em que a vida terrestre ainda era pouco diversa. Não havia florestas nem oxigênio abundante suficiente, o que levantou a questão sobre as causas do tamanho extremo do animal.

Segundo os pesquisadores, a ausência de predadores terrestres grandes pode ter favorecido o crescimento. Com pouca competição, a espécie poderia ter ocupado uma posição dominante em seu ecossistema, explicando o tamanho excepcional para a época.

Possível alimentação aquática

Ainda não há consenso sobre a dieta do animal, mas há evidências de que parte de sua vida ocorreu na água. Fossígios do País de Gales sugerem estruturas que lembram nadadeiras, parecidas com as de lagostas e caranguejos. Esses indícios indicam caçadas aquáticas em ambientes ainda pouco estruturados.

Além disso, marcas estriadas nas patas podem indicar estridulação, técnica usada por escorpiões extintos para produzir sons. Tal característica reforça a ideia de hábitos que alternavam entre terra e água, conforme as condições ecológicas da época.

Implicações evolutivas

A descoberta contribui para entender a evolução dos artrópodes e a relação entre ancestrais terrestres e animais que retornaram ao ambiente aquático. Casos hipotéticos de transição evolutiva entre água e terra costumam ser debatidos entre cientistas, e Praearcturus gigas pode servir como evidência de trajetórias alternativas.

Fragmentos de Portishead, em North Somerset, indicam que alguns espécimes poderiam ter sobrevivido por até 40 milhões de anos, mantendo dúvidas sobre suas relações evolutivas. Ainda assim, novas fósseis serão essenciais para confirmar vínculos e responder às perguntas que cercam esse gigante do Devoniano.

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