- Delegados da União Europeia, Suíça e dezenas de países em desenvolvimento disseram que governos adversários estão minando o consenso científico sobre o aquecimento global nas negociações pré-COP31, em Bonn, Alemanha.
- Afirmaram que um pequeno grupo de interesses ligados aos combustíveis fósseis atacou a ciência das mudanças climáticas e tentou retirar referências ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e à meta de manter o aquecimento próximo de 1,5°C.
- A Arábia Saudita teria se oposto a uma linguagem que incluía preocupação com o El Niño e a necessidade de atualizações regulares do IPCC; a Índia sugeriu eliminar referências a mudanças irreversíveis.
- A União Europeia pediu defesa da ciência, apoio ao IPCC e integridade das informações; Canadá, EUA, União Europeia e outros defendem manter as referências técnicas.
- As negociações em Bonn buscam reduzir divergências antes da cúpula COP31, que ocorre a partir de nove de novembro em Antalya, na Turquia.
Delegados da União Europeia, Suíça e dezenas de países em desenvolvimento anunciaram acusações contra governos que, segundo eles, minam o consenso científico sobre o aquecimento global nas negociações pré-COP31 em Bonn, Alemanha. As conversas ocorrem antes da cúpula marcada para iniciar em 9 de novembro, na Turquia.
Segundo interlocutores, há esforços de alguns países para retirar referências ao IPCC e à meta de limitar o aquecimento a 1,5°C dos textos em discussão. O objetivo é manter o processo em ritmo mais lento e favorecer interesses ligados aos combustíveis fósseis.
A Embaixada de Fiji informou que populações vulneráveis enfrentam impactos climáticos enquanto críticas a mudanças científicas são fortalecidas. Organizadores destacam a importância de manter a ciência como base das decisões.
Pressão para adiar avaliações climáticas
A Índia teria indicado a retirada de menções a mudanças irreversíveis, segundo observadores independentes. A Arábia Saudita e outros países com grandes reservas de petróleo também estariam relutantes em incorporar certas atualizações do IPCC.
A UE reiterou a defesa da ciência, do IPCC e da integridade da informação em Bonn e além. Diversos delegados reforçam que o objetivo é manter o alinhamento com o Acordo de Paris, que prevê limitar o aquecimento a 1,5°C.
Contexto e próximos passos
Especialistas dizem que manter o 1,5°C é crucial para evitar impactos severos. O objetivo de 2030 permanece um marco, diante de divergências sobre cronogramas de atualização científica.
A presidente da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, Anne Rasmussen, manifestou preocupação com tentativas de enfraquecer a ciência. Ela pediu que os países mantenham o compromisso com a meta de 1,5°C.
( AFP )
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