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Nações denunciam ataques à ciência em negociações climáticas cruciais

Delegados da União Europeia, Suíça e dezenas de países em desenvolvimento denunciam ataques à ciência em Bonn, com pressão por adiamento do IPCC para 2029

Centenas de ativistas climáticos participam de uma manifestação do movimento Fridays for Future no Hofgarten, em Bonn, Alemanha, em 24 de abril de 2026 - (Ying Tang/NurPhoto/Getty Images)
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  • Delegados da União Europeia, Suíça e dezenas de países em desenvolvimento disseram que governos adversários estão minando o consenso científico sobre o aquecimento global nas negociações pré-COP31, em Bonn, Alemanha.
  • Afirmaram que um pequeno grupo de interesses ligados aos combustíveis fósseis atacou a ciência das mudanças climáticas e tentou retirar referências ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e à meta de manter o aquecimento próximo de 1,5°C.
  • A Arábia Saudita teria se oposto a uma linguagem que incluía preocupação com o El Niño e a necessidade de atualizações regulares do IPCC; a Índia sugeriu eliminar referências a mudanças irreversíveis.
  • A União Europeia pediu defesa da ciência, apoio ao IPCC e integridade das informações; Canadá, EUA, União Europeia e outros defendem manter as referências técnicas.
  • As negociações em Bonn buscam reduzir divergências antes da cúpula COP31, que ocorre a partir de nove de novembro em Antalya, na Turquia.

Delegados da União Europeia, Suíça e dezenas de países em desenvolvimento anunciaram acusações contra governos que, segundo eles, minam o consenso científico sobre o aquecimento global nas negociações pré-COP31 em Bonn, Alemanha. As conversas ocorrem antes da cúpula marcada para iniciar em 9 de novembro, na Turquia.

Segundo interlocutores, há esforços de alguns países para retirar referências ao IPCC e à meta de limitar o aquecimento a 1,5°C dos textos em discussão. O objetivo é manter o processo em ritmo mais lento e favorecer interesses ligados aos combustíveis fósseis.

A Embaixada de Fiji informou que populações vulneráveis enfrentam impactos climáticos enquanto críticas a mudanças científicas são fortalecidas. Organizadores destacam a importância de manter a ciência como base das decisões.

Pressão para adiar avaliações climáticas

A Índia teria indicado a retirada de menções a mudanças irreversíveis, segundo observadores independentes. A Arábia Saudita e outros países com grandes reservas de petróleo também estariam relutantes em incorporar certas atualizações do IPCC.

A UE reiterou a defesa da ciência, do IPCC e da integridade da informação em Bonn e além. Diversos delegados reforçam que o objetivo é manter o alinhamento com o Acordo de Paris, que prevê limitar o aquecimento a 1,5°C.

Contexto e próximos passos

Especialistas dizem que manter o 1,5°C é crucial para evitar impactos severos. O objetivo de 2030 permanece um marco, diante de divergências sobre cronogramas de atualização científica.

A presidente da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, Anne Rasmussen, manifestou preocupação com tentativas de enfraquecer a ciência. Ela pediu que os países mantenham o compromisso com a meta de 1,5°C.

( AFP )

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