- Cientistas australianos testam uma abordagem não letal para proteger tartarugas de água doce contra raposas, usando aversão ao sabor em ovos decoy.
- O método combina ovos “aversivos” com um odor de baunilha para reforçar a memória de medo e manter as raposas longe dos ninhos.
- O estudo abrange oito locais de nidificação no Murray River Basin e envolve colaboração com comunidades locais e a Duduroa Dhargal Aboriginal Corporation.
- Resultados iniciais mostraram queda de até trinta por cento na ingestão de ovos durante a fase de condicionamento, com variação entre os sites; alguns ninhos permaneceram intactos em até setenta semanas?
- Desafios incluem variação entre locais, possível retorno de raposas não expostas ao tratamento e a necessidade de ampliar a aplicação da fragrância para associar o cheiro ao vale de nidificação.
Ligia Pizzatto, pesquisadora da La Trobe University, testa uma abordagem não letal para proteger tartarugas de água doce na bacia Murray-Darling, no sudeste da Austrália. Ela enterra ovos decoy e borrifa o local com vanilla para associar o odor ao mal-estar dos animais. O objetivo é evitar que as raposas comam ovos de tartaruga.
O estudo usa técnicas de aversão ao gosto para ensinar raposas a evitar ovos de tartaruga. Os experimentos ocorrem em oito locais da região, incluindo áreas públicas e propriedades privadas ao redor de Ryan’s Lagoon. A ideia é criar uma barreira sensorial que reduza o consumo de ovos.
A bacia do Murray River abriga três espécies de tartaruga nativas. Embora não haja classificação oficial de risco pela IUCN, pesquisas locais indicam declínios acentuados desde os anos 1970, com picos de queda de até 91% em algumas espécies.
Foxes predam ovos e adultos, mas há outras ameaças como represas, mudanças no fluxo de água e mudanças climáticas. As intervenções atuais incluem barreiras físicas, ilhas artificiais e estratégias de manejo da água, com custos variando conforme o método.
O método de Pizzatto consiste em ovos decoy recheados com fungicida que induz o vômito, combinados a uma fragrância de vanilla para reforçar a associação negativa. O objetivo é que, após ingerirem ovos tratada, as raposas evitem ovos reais de tartaruga.
O experimento funciona em fases: baseline com ovos de controle, fase de condicionamento com ovos aversivos e avaliação pós-condicionamento para verificar a duração da aversão. Resultados iniciais mostram redução no consumo de ovos em alguns sítios.
Segundo a pesquisadora, a retenção da aversão varia entre locais. Em parte, isso pode ocorrer pela entrada de novas raposas ou pela adaptação de predadores introduzidos à região. A fragrância de vanilla pode impedir que as raposas identifiquem a diferença entre ovos reais e simulados.
No laboratório, Pizzatto prepara os ovos decoy e os controles. Ela perfura o casco e injeta o fungicida em ovos, selando com cera para evitar vazamento. O spray de vanilla é aplicado para criar um marcador olfativo adicional.
A equipe envolve voluntários da comunidade, escolas locais e organizações de conservação. Esse envolvimento é visto como essencial para ampliar a replicabilidade do protocolo e facilitar a implementação em áreas públicas e privadas.
Perspectivas e próximos passos
As pesquisadoras planejam testar novas estratégias de posicionamento da vanilla, para que o cheiro seja associado à área de nidificação, não apenas aos ninhos específicos. Também estudam a possibilidade de incorporar cheiro de tartaruga ou água de viveiro para reforçar a identificação.
Além de câmeras de monitoramento, há interesse em usar coleiras de GPS para rastrear movimentos de raposas e entender melhor suas respostas aos ovos tratados. O objetivo é tornar a técnica simples, acessível e eficaz a longo prazo.
Os Tradicionais Proprietários da região colaboram com o projeto. A Duduroa Dhargal Aboriginal Corporation administra a reserva de Ryan’s Lagoon e apoia a pesquisa, destacando a relação de proteção com as tartarugas, consideradas um totem pela comunidade.
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