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Transtornos alimentares durante a gravidez, o desafio invisível das gestantes

Gestação pode acender transtornos alimentares, elevando riscos para mãe e bebê; especialistas pedem triagem e apoio contínuo durante e após a gravidez

Point of view of a pregnant woman looking down at an ultrasound scan photo with one hand on her baby bump (Credit: Getty Images)
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  • Aproximadamente 1 em cada 20 mulheres sofre de transtorno alimentar durante a gravidez, com relatos de relapse em quem já teve a condição.
  • O caso de Elizabeth Claydon, que já teve anorexia, ilustra a luta entre as mudanças da gestação e o transtorno alimentar, com pensamentos de dissonância corporal.
  • Transtornos alimentares na gravidez aumentam o risco de complicações para mãe e bebê, como náuseas intensas, baixo peso ao nascer e parto prematuro.
  • O diagnóstico é difícil e subnotificado, pois sintomas podem se confundir com sinais da gestação, levando a pouca identificação e encaminhamento para tratamento.
  • Pesquisadores têm criado recursos e diretrizes: diretrizes clínicas para anorexia na gravidez (desenvolvidas por Megan Galbally, em 2022) e iniciativas de apoio como Healing Bodies Healthy Babies.

Durante a gravidez, sinais de transtornos alimentares podem aparecer ou se intensificar, configurando uma tempestade perfeita para a saúde mental e física da mãe. Pesquisadores alertam que esse é um momento de risco, mas também de possível recuperação.

Elizabeth Claydon, 27, contou como as mudanças corporais associadas à gestação reacenderam pensamentos de anorexia. Ela busca equilibrar desejo de cuidar do bebê com a pressão do corpo.

Claydon já enfrentou anorexia na adolescência e teve relapse aos 26, quando descobriu a gravidez. Hoje é professora assistente na West Virginia University, pesquisando transtornos alimentares e prevenção da obesidade.

Essa situação não é comum, mas ocorre com mais frequência do que se imagina: aproximadamente uma em cada 20 mulheres pode vivenciar um transtorno alimentar durante a gestação. Relatos variam entre histórico e primeiros sintomas.

Especialistas destacam que o diagnóstico pode passar despercebido no sistema de saúde. O monitoramento intenso do corpo da gestante nem sempre identifica padrões de alimentação inadequados.

Gemma Sharp, professora de psicologia clínica na University of Adelaide, explica que há um mito de que esses transtornos acabam sozinhos com a gravidez. Com suporte adequado, há potencial de recuperação.

Megan Galbally, psiquiatra em Monash, observa que a prevalência global de transtornos alimentares aumentou entre 2000 e 2018 e atingiu picos em 2020 e 2021, possivelmente ligado às redes sociais e à pandemia.

O peso físico e o risco

Durante a gravidez, o corpo prioriza o desenvolvimento do bebê, o que pode gerar deficiências nutricionais na mãe. Anorexia nervosa e bulimia aumentam o risco de complicações como náuseas intensas, sangramento e anemia.

Estudos apontam que a nutrição materna influencia o peso do bebê, com implicações para a saúde a longo prazo. Contudo, faltam dados longitudiais sólidos para mapear impactos diretos.

Casos de gravidez elevam a vulnerabilidade, pois a alimentação restritiva pode agravar instabilidade hormonal, sono e humor. Pesquisadores relatam dificuldades em separar sintomas gestacionais de distúrbios alimentares.

Caso de Courtney Louise, 37, que vive em Nova Gales do Sul, descreve episódios de raiva intensa após o parto. Ela já conviveu com anorexia e exercícios excessivos há anos.

Louise relata que o tratamento incluiu trabalho com médico e terapeuta para evitar restrições alimentares. A família e a prática de yoga ajudam a manter a saúde mental da mãe.

Reconhecer e apoiar

Especialistas destacam que muitos casos continuam ocultos devido ao perfil perfeccionista de quem tem transtornos alimentares. Mulheres costumam não revelar comportamentos como vômitos ou jejum durante a gestação.

Emily, 33, mãe de duas, relata que mesmo com histórico de distúrbios alimentares, não recebeu apoio ativo durante a gestação. Ela descreve pressão e medo ao enfrentar sintomas como hiperemese, que agravaram os conflitos.

Profissionais afirmam que o tema estava pouco observado pela obstetrícia, pela medicina materno-infantil e pela saúde mental, dificultando intervenções precoces e eficazes.

Para enfrentar o gap, pesquisas e iniciativas vêm sendo criadas. Galbally publicou diretrizes clínicas que orientam o manejo da anorexia durante a gravidez, em 2022, e Claydon criou recursos para orientar gestantes com transtornos alimentares.

Além disso, Sharp fundou o Consortium for Research in Eating Disorders, buscando ampliar o estudo sobre esse grupo. Falta, ainda, tratamentos específicos cientificamente testados para gestantes com transtornos alimentares.

A rede de apoio envolve terapia, grupos de suporte e, em alguns casos, antidepressivos. A ausência de intervenções padronizadas reforça a necessidade de mais pesquisa e capacitação de profissionais.

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