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Biblioteca digital disponibiliza 64 milhões de páginas de conhecimento científico

Biodiversity Heritage Library, com 64 milhões de páginas, pode perder apoio da Smithsonian, colocando o acesso aberto em risco até 2027

Colourful, annotated, illustrations of fish.
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  • A Biodiversity Heritage Library (BHL) disponibiliza mais de 64 milhões de páginas de textos históricos sobre espécies, com contribuições de centenas de museus, universidades e instituições ao redor do mundo.
  • Criada há vinte anos, a biblioteca digital mostrou como transformar conhecimento científico antigo em acesso aberto, ajudando pesquisas sobre clima e biodiversidade.
  • O futuro da BHL está ameaçado: o Smithsonian interrompeu parte da administração e infraestrutura, e o orçamento necessário para manter o serviço é estimado em cerca de US$ 1 milhão por ano, com expectativa de fim de financiamento até o final de 2027.
  • A instituição relata pausas em adições ao Flickr e aponta que há espaço para avanços, como uso de inteligência artificial e melhor reconhecimento óptico de caracteres (OCR), além de plataforma móvel e multilíngue.
  • Pesquisadores e gestores destacam o valor do acervo aberto e o papel da IA para ampliar a descoberta de dados sobre biodiversidade, pedindo apoio para manter o acesso livre.

A Biodiversity Heritage Library (BHL) é um acervo online de textos históricos sobre espécies, mantido por museus e universidades de todo o mundo. Ao longo de 20 anos, mais de 64 milhões de páginas ficaram disponíveis gratuitamente, com contribuições de centenas de instituições em vários continentes.

O acervo reúne literatura científica, cartas, ilustrações, diários de campo, registros de distribuição e documentos que contam as histórias originais de espécies, além de figurinhas de museus e relatos de expedições. Entre os itens, destacam-se manuscritos raros e catálogos que ajudam pesquisadores a compreender usos econômicos de plantas e a história da madeira.

Entre os destaques está o diário ilustrado de Sir Joseph Hooker sobre a Antarctica, com aquarelas de vulcões observados em 1841. Também consta a obra The Mammals of Australia, de John Gould, com a ilustração da thylacine, animal extinto que habitou a Tasmânia. Tais itens ilustram a diversidade preservada pela BHL.

A BHL nasceu há 20 anos como uma iniciativa de bibliotecários para ampliar o acesso global a literatura biodiversitária, unindo instituições do Reino Unido e dos Estados Unidos. O objetivo era disponibilizar gratuitamente o conhecimento para cientistas e o público em geral.

Hoje, porém, o futuro da biblioteca enfrenta ameaças financeiras. O Smithsonian Institution reduziu o apoio administrativo e operacional da BHL, citando cortes de verba sob o governo federal recente. Estima-se que o orçamento de funcionamento anual seja de aproximadamente 1 milhão de dólares, com recursos atuais válidos até o fim de 2027.

Segundo a equipe da BHL, há ainda limitações na atualização de conteúdos, incluindo pausas na adição de novos itens à página do Flickr da biblioteca, devido à insuficiência de recursos para avançar com novas tecnologias, como IA e melhoria de reconhecimento óptico de caracteres.

Especialistas indicam que a aplicação de IA poderia destravar dados contidos em milhares de registros taxonômicos, geográficos e ecológicos, ampliando a integração entre coleções e potencializando descobertas científicas. O ganho seria uma maior síntese de biodiversidade e vínculos entre acervos.

Para os responsáveis pela BHL, manter o acesso aberto é essencial para a compreensão mundial sobre espécies que coexistem em nosso planeta e para a conservação de futuras descobertas. A instituição continua buscando apoio financeiro para manter as 64 milhões de páginas disponíveis a custos acessíveis.

Quem quiser apoiar a continuidade da BHL pode contribuir pela página oficial da biblioteca, que mantém o botão de doação. A organização ressalta a importância de preservar esse acervo como recurso para pesquisadores, educadores e o público em geral, sem restrições de acesso.

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