- Análise publicada na Science aponta que gases de efeito estufa indiretos respondem por cerca de 15% do aquecimento global, incluindo monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis não metânicos.
- Junto do carbono negro, esses gases contribuiriam para aproximadamente 0,3°C do aquecimento até o momento.
- Eles não estão nas contagens oficiais de gases de efeito estufa nem nos planos de redução, como a lista de Kyoto, o que sustenta o debate sobre incluí-los em políticas climáticas.
- O vazamento de hidrogênio, especialmente com a expansão de uso dessa energia, pode se tornar um nuevo contribuinte para o aquecimento nas próximas décadas.
- Autoridades são incentivadas a monitorar esses gases com mais rigor e considerar novas estratégias de redução, além de padronizar métodos de medição para orientar políticas.
Os gases de efeito estufa indiretos devem entrar no debate sobre controle do aquecimento global. Uma análise publicada na Science na última semana aponta que esses gases respondem por cerca de 15% do aquecimento atual, estimando quase 0,3°C de efeito.
Entre os poluentes indiretos estão monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis não metânicos. Eles são emitidos na queima de combustíveis fósseis ou liberados por processos industriais e, embora não prisem calor sozinhos, participam de reações que formam gases aquecedores, como o ozônio troposférico.
A contribuição indireta é associada ao conjunto de gases que não consta entre os principais na lista oficial de Kyoto, segundo a análise. O estudo também destaca a participação do carbono negro, que absorve calor, na parcela total de aquecimento global.
Os pesquisadores calculam que o aquecimento indireto causado por esses compostos é de aproximadamente 0,25°C, em comparação com 0,1°C do aquecimento direto relacionado ao óxido nitroso, CO2 e metano. Contudo, alguns poluentes podem ter efeito de resfriamento em determinadas condições.
A equipe ressalva que moléculas como o ozônio troposférico, apesar de serem gases de efeito estufa, podem não constar nas listas oficiais, dificultando políticas públicas consistentes. Muitos líderes da indústria ainda tratam esses gases como não relacionados ao aquecimento.
A análise defende a inclusão dos gases indiretos na “cesta” de regulação climática, sugerindo que países revisem seus marcos para reduzir emissões além do CO2. A discussão envolve autoridades que já trabalharam em governos anteriores dos EUA, com foco em ampliar o conjunto de poluentes monitorados.
Com a expansão de uso do hidrogênio como fonte de energia, o vazamento de hidrogênio molecular aparece como novo elemento a ser considerado pela comunidade científica e pelas políticas públicas nas próximas décadas.
Especialistas destacam que o momento é oportuno, dado o avanço de políticas para reduzir também metano, óxido nitroso e hidrofluorocarbonetos. A ideia é buscar caminhos adicionais para desacelerar o aquecimento no curto prazo.
O desafio técnico envolve medir com precisão o impacto climático de cada composto e identificar suas fontes. Técnicos da NOAA apontam a necessidade de padronizar métodos de avaliação para gases indiretos, com foco em impactos de curto a médio prazo.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas deve apresentar, no próximo ano, diretrizes para padronizar essas análises e ampliar a contabilização de substâncias de vida atmosférica curta. A comunidade científica reforça a importância de mais pesquisas para orientar políticas públicas.
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