- Lei nº 15.371, sancionada no fim de março, amplia a licença-paternidade para vinte dias e cria o salário-paternidade.
- A pesquisa aponta benefícios emocionais, sociais e cognitivos para crianças, além de contribuir para a igualdade de gênero e a redução da violência doméstica.
- A participação ativa do pai está associada a menor ansiedade, menos problemas de comportamento e melhor regulação emocional nas crianças, além de impactos positivos na saúde mental dos pais.
- A negligência emocional e a sobrecarga materna aparecem como fatores de risco; a participação está ligada a divisão de responsabilidades e a vínculos mais estáveis.
- Observações práticas incluem brincar, conversar, ler, cantar e cuidar do cotidiano; sinais de alerta em crianças ajudam na intervenção precoce e no apoio familiar.
A paternidade ativa ganha destaque na saúde pública após a sanção da lei nº 15.371, que amplia a licença-paternidade para 20 dias e institui o salário-paternidade. A medida, aprovada pelo governo federal no fim de março, reforça participação dos pais no cuidado infantil e busca reduzir desigualdades de gênero.
Estudos indicam que a presença paterna está associada a melhores desfechos emocionais, sociais e cognitivos em crianças e adultos. efeitos positivos aparecem no desempenho escolar e no desenvolvimento de habilidades socioemocionais, contribuindo também para a igualdade de gênero e para a prevenção da violência doméstica.
Na prática, crianças com pais mais engajados tendem a apresentar menor ansiedade, menos problemas comportamentais e maior capacidade de lidar com as emoções. O psiquiatra Diego Ortega, do Einstein Hospital, destaca que participação parental reduz riscos de agravos à saúde mental e fortalece redes de apoio.
Além disso, a saúde mental do pai importa para o desenvolvimento infantil. A depressão, a ansiedade e o estresse paterno podem influenciar negativamente a regulação emocional e as relações sociais das crianças, aponta o especialista.
Não é apenas estar presente: a conexão emocional faz diferença. Mesmo quando o pai mora sob o mesmo teto, a negligência emocional pode deixar marcas. Crianças que percebem distância emocional costumam apresentar sinais psíquicos ao longo da vida, segundo o médico.
Traços de envolvimento positivo incluem brincar, conversar, observar, segurar nos braços, contato pele a pele, trocar fraldas, dar banho, ler em voz alta, cantar e cozinhar. Essas ações vão além do afeto e impactam o cérebro desde os primeiros meses de vida, conforme estudo da Universidade de Oxford.
Pesquisas indicam também efeitos fisiológicos. Em estudo publicado em Developmental Psychobiology, homens com maior envolvimento paterno na infância mostraram cortisol mais regulado décadas depois, associando-se a menor risco de ansiedade, depressão e insônia na vida adulta. O envolvimento também reduziu o uso de drogas e tabaco entre os filhos na faixa dos 20 anos.
A divisão de tarefas e seus impactos: a participação constante do pai ajuda a aliviar a sobrecarga materna e pode favorecer equilíbrio entre trabalho, família e descanso. Psicóloga ressalta que cuidado com os filhos é oportunidade de construção e cumplicidade, envolvendo diálogo, limites e educação compartilhada.
Entretanto, a prática enfrenta obstáculos como jornadas de trabalho longas, políticas públicas incompletas e padrões culturais que atribuem à mulher o papel central nos cuidados. Ainda assim, o cenário tem mostrado modelos mais equilibrados de divisão dos afazeres domésticos e parentais.
Sinais de alerta relacionados à ausência paterna podem surgir de forma indireta. Mudanças abruptas no comportamento, queda escolar, isolamento ou irritabilidade podem indicar dificuldades que pais presentes costumam identificar mais cedo, segundo Ortega.
Para quem já está no caminho da paternidade ativa, nunca é tarde para reconstruir vínculos. O primeiro passo envolve conhecer o filho de novo, sem julgamentos, adotando uma postura aberta para pedir ajuda, compartilhar conquistas e fortalecer a relação.
A paternidade ativa, segundo especialistas, representa um fator concreto de saúde para famílias. Ao ampliar participação, reduz estresse, favorece desenvolvimento emocional e prepara indivíduos para lidar com os desafios do mundo, sem abrir mão da neutralidade sobre políticas públicas.
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