- Em março de 2011, o megaterremoto de Tohoku no Japão gerou tsunami e complexo desastre na usina nuclear de Fukushima Daiichi.
- Um estudo publicado na revista Science aponta que o terremoto deslocou o Japão em alguns milímetros para leste, coincidindo com a passagem de uma onda sísmica refletida pelo núcleo da Terra.
- A onda, chamada ScS, atingiu uma falha geológica em movimento e foi detectada por sensores de GPS de Hokkaido a Kyushu, cerca de treze minutos após o tremor principal.
- O deslocamento observado chegou a entre cinco e seis milímetros, registrado de modo amplo pelo território japonês.
- Os autores alertam para uma possível nova fonte de risco sísmico associada a ondas refletidas pelo núcleo, que pode provocar deslizamentos mesmo dezenas de minutos após o tremor.
O terremoto de Tohoku, ocorrido em março de 2011, no Japão, é o foco da nova análise. Pesquisadores verificaram que o megaterremoto pode ter deslocado o país inteiro em alguns milímetros para a direção leste. A descoberta foi publicada na Science.
A equipe liderada pela sismóloga Sunyoung Park examinou dados sísmicos e de GPS do evento. Eles identificaram uma onda refletida pelo núcleo da Terra, chamada onda ScS, que ocorreu cerca de 13 minutos após o tremor principal.
Essa onda teria atingido uma falha geológica em movimento, gerando o deslocamento observado em sensores de GPS distribuídos do Hokkaido ao Kyushu. O resultado sugere que uma parte significativa do território pode ter se movido para o leste.
Detalhes da descoberta
O estudo aponta que o fenômeno é o primeiro registro conhecido de uma onda ScS atingindo uma fratura em atrito. A coincidência entre a passagem da onda e o deslocamento de solo sustenta a hipótese de ligação entre o fenómeno e o movimento regional.
Segundo os autores, o deslocamento estimado foi de até 5 a 6 milímetros. A abrangência do registro reforça a ideia de que o Japão inteiro respondeu ao tremor com alterações no solo.
Implicações para o risco sísmico
Os pesquisadores destacam que ondas refletidas pelo núcleo podem representar uma nova fonte de risco sísmico. A descoberta pode ajudar a entender deslizamentos e possíveis reativação de áreas próximas ao epicentro.
A equipe enfatiza a necessidade de considerar esse tipo de fenômeno em avaliações de risco, mesmo minutos após o tremor inicial. O estudo abre caminho para revisões em modelos de segurança e monitoramento.
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