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Viagem para encontrar cientistas que tentam refazer o gelo no Ártico

Projeto Real Ice testa o aumento da espessura do gelo ártico ao despejar água do mar, em busca de frear o recuo e seus impactos climáticos

Researchers Cìan Sherwin and Melanie Webster doing measurements.
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  • O aquecimento global já destruiu cerca de 40% do gelo marinho de verão no Ártico nos últimos 45 anos, agravando o aquecimento por causa da menor reflexão de luz (albedo).
  • No projeto Real Ice, em Cambridge Bay, pesquisadores perfuraram o gelo e bombeiram água do mar para a superfície a −40 °C, o que congelou o gelo imediatamente e o deixou mais espesso em cerca de 50 cm numa área de 450 m por 450 m.
  • A ideia é ver se esse refreezimento pode reduzir o ritmo do degelo durante o verão e entender impactos a longo prazo na temperatura e na fauna; a população local Inuit participa do experimento.
  • O financiamento veio de uma multa de £ 3,5 milhões do governo do Reino Unido; no próximo ano, drones submersos com um probe aquecido vão fazer os buracos no gelo, com estimativa de custo de cerca de $ 10 bilhões para, no longo prazo, tentar frear o recuo da ice do Ártico.
  • Geoengenharia é controversa: alguns cientistas criticam a viabilidade e alertam sobre riscos ambientais; o Real Ice é apresentado como pesquisa para informar decisões futuras, não como implantação de grande escala.

A equipe do projeto Real Ice conduziu testes para verificar se bombas de água do mar podem reforçar o gelo marinho do Ártico. A iniciativa ocorreu em Cambridge Bay, no Canadá, durante temperaturas de até -40°C. A ideia é ver se a água do mar, ao ser bombeada para a superfície, congela rapidamente e aumenta a espessura do gelo, reduzindo o derretimento no verão.

Os estudos, financiados com 3,5 milhões de libras pelo governo britânico, foram realizados em uma área de 450 por 450 metros. O gelo foi perfurado e a água do mar foi bombeada para a superfície, resultando em uma espessura adicional de cerca de 50 cm. A área tornou-se uma “ilha” branca em meio ao oceano azul, refletindo mais luz e potencialmente reduzindo o aquecimento local.

A participação é integrada pela comunidade Inuit, cuja contribuição é essencial para o andamento do experimento e para interpretação de impactos sobre transporte e caça na região. O objetivo é entender efeitos a longo prazo em temperatura e fauna, além de avaliar riscos ambientais.

Geoengenharia em foco

No próximo ano, pesquisadores pretendem usar drones subaquáticos para perfurar o gelo com uma sonda aquecida, visando ampliar a escala do processo. Estima-se que, se viável, a intervenção poderia demandar cerca de US$ 10 bilhões ao longo do tempo para conter o recuo anual do gelo ártico.

A iniciativa, porém, permanece controversa entre a comunidade científica polar, com críticas sobre viabilidade, impactos ecológicos e o risco de desviar a atenção de reduções reais de emissões. O projeto Real Ice, contudo, busca responder perguntas-chave antes de qualquer implementação em larga escala.

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