- O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista não depende de um único exame; é uma avaliação clínica aprofundada baseada na sintomatologia e no desenvolvimento, realizada por uma equipe multidisciplinar.
- A equipe envolve, entre outros profissionais, fonoaudiólogo, psicólogo e terapeuta ocupacional, para entender comunicação, habilidades sociais e necessidades sensório-motoras.
- Não existe ainda um exame tecnológico de uso clínico rotineiro capaz de detectar o autismo; o diagnóstico se baseia na história clínica e no diagnóstico diferencial.
- O autismo costuma vir acompanhado de comorbidades, o que pode dificultar o diagnóstico e exigir avaliação de outros especialistas.
- Quanto mais cedo o diagnóstico é buscado, melhor; a partir de dois anos já é possível obter subsídios mais confiáveis, mas nunca é tarde para procurar avaliação. A entrevista ao vivo vai ao ar no CNN Sinais Vitais com Dr. Kalil no sábado, dia 20, às 19h30.
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) não depende de um único exame. Segundo especialistas ouvidos por Dr. Kalil no programa CNN Sinais Vitais, trata-se de uma avaliação clínica aprofundada, guiada pela história do paciente e pelo desenvolvimento ao longo do tempo. A condução ideal envolve uma equipe multidisciplinar, destacam.
Dra. Daniela Bordini, psiquiatra da Unifesp, afirma que não há marcador biológico definitivo nem exame genético para confirmar o TEA. O diagnóstico é construído a partir da observação clínica e do raciocínio diferencial feito por profissionais capacitados, ressaltando a importância da avaliação integrada.
Dra. Tatiana Mecca, psicóloga da Santa Casa de São Paulo, reforça que o TEA é um espectro, exigindo análise minuciosa por especialistas. O padrão-ouro é a atuação conjunta de uma equipe multidisciplinar para subsidiar o diagnóstico, segundo ela.
Equipe multidisciplinar é essencial
Diferentes profissionais contribuem para entender as características do autismo, destaca Mecca. O fonoaudiólogo atua em dificuldades de comunicação, o psicólogo em aspectos de percepção social, e o terapeuta ocupacional em aspectos sensório-motores. Quando surgem suspeitas de comorbidades, outros médicos podem participar.
A presença de comorbidades é comum no TEA, conforme as especialistas. Deficiências associadas podem complicar o quadro e exigir diagnósticos diferenciais para distinguir entre TEA e outros quadros ou a combinação deles.
Ausência de exames tecnológicos na prática clínica
Dra. Bordini confirma que nenhum exame tecnológico acessível rotineiro substitui a avaliação clínica. O diagnóstico continua dependente da história, da experiência dos profissionais e da identificação de comorbidades. Pesquisas em andamento, como eye tracking, ainda não estão disponíveis na prática clínica.
Além disso, observa-se que o autismo costuma coexistir com outras condições, o que aumenta a complexidade diagnóstica. O objetivo é mapear o quadro completo para orientar o tratamento adequado.
Quando diagnosticar e janela de intervenção
Sobre a idade ideal para o diagnóstico, as especialistas apontam que quanto mais cedo, melhor. A partir de dois anos já é possível obter indícios relevantes para sustentar o diagnóstico. Existe uma janela de plasticidade cerebral que permite melhores resultados com intervenções precoces.
Por fim, as especialistas destacam que, mesmo com diagnóstico precoce, nunca é tarde para buscar avaliação. O caminho envolve uma equipe capacitada, avaliação clínica detalhada e acompanhamento contínuo para orientar estratégias terapêuticas.
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