- O Brasil registra crescimento do tabagismo entre jovens, impulsionado por contextos sociais e pelo uso de cigarros tradicionais, vape e cigarro de palha.
- Fumante jovem pode ter oxigênio no sangue reduzido pela queima de tabaco, aumentando risco de problemas cardiovasculares e trombos, e prejudicando o rendimento respiratório.
- Dados da Vigitel de 2024 indicam que 11,6% da população adulta se declara fumante de cigarro convencional.
- Em 2025, 2,5 milhões de brasileiros buscaram atendimento relacionado ao tabagismo na atenção primária, aumento de 95% em relação a 2022.
- Entre adolescentes, 37,6% começaram a fumar antes dos 14 anos e 45,2% têm pais que fumam ou fumaram, apontando vulnerabilidade neurobiológica e influência familiar.
Uma epidemia silenciosa volta a ganhar espaço entre os jovens brasileiros. O tabagismo cresce em ambientes sociais como bares e rodas universitárias, impulsionado pela entrada de alternativas como cigarro de palha e dispositivos eletrônicos. A notícia aponta para um retorno preocupante, após décadas de queda estimulada por campanhas de conscientização.
Especialistas destacam que o corpo de quem fuma já sofre, mesmo sem sintomas. O monóxido de carbono rouba oxigênio do sangue, prejudicando vasos e tecidos. O pneumologista William Schwartz, do Hospital Santa Lúcia, alerta que a fumaça reduz a proteção contra coágulos e eleva o risco de trombos.
Para jovens ativos, a ideia de que o exercício compensa os danos não se sustenta. Segundo Schwartz, o cigarro sabota o rendimento esportivo ao limitar o transporte e o uso de oxigênio pelo corpo, prejudicando desempenho cardiorrespiratório.
Contexto
A avaliação do especialista aponta para uma rotatividade de dispositivos: muitos jovens começam com cigarro tradicional ao tentar largar o vape ou migram para o cigarro de palha, sob a expectativa de um produto “natural”.
Dados nacionais
Dados da pesquisa de 2024 da Vigitel indicam que 11,6% da população adulta é fumante de cigarro convencional.
Tratamento
O SUS registra, em 2025, 2,5 milhões de atendimentos voluntários relacionados ao tabagismo na atenção primária, alta de 95% ante 2022, quando houve 1,2 milhão.
Nova geração
Levantamento Lenad 2023 mostra que entre adolescentes fumantes 37,6% começaram antes dos 14 anos e 45,2% têm pais que fumam ou fumaram.
Prejuízos cognitivos
A psicóloga Juliana Gebrim aponta que uso adolescente de cigarro pode afetar atenção, memória de trabalho e velocidade de processamento. Dificuldades em organização, planejamento e decisões também aparecem.
Suporte e ajuda
O Ministério da Saúde recomenda apoio familiar, alimentação adequada, acompanhamento médico e mudanças de grupo social para parar de fumar.
Palavra do especialista
A vulnerabilidade neurobiológica de jovens aumenta a dependência de nicotina. O cérebro em desenvolvimento reage fortemente à dopamina, facilitando o hábito, sobretudo com dispositivos eletrônicos.
Muitos jovens relatam uso para aliviar estresse ou ansiedade. A neuropsicologia explica que o efeito é passageiro; ao cair a nicotina, surgem irritação e dificuldade de concentração, levando a novo consumo.
Juliana Gebrim é psicóloga clínica e neuropsicóloga pelo IPAF.
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