- O projeto Eco Shark, da UFRJ, identificou sertralina no cérebro de tubarões-martelo no Rio de Janeiro.
- O estudo analisou cinco órgãos e mostrou maior concentração da droga no cérebro.
- A sertralina é lipofílica, ou seja, tem afinidade por gordura, o que favorece seu acúmulo no tecido cerebral.
- A contaminação vem do consumo humano de antidepressivos: redes de saneamento não eliminam fármacos, e apenas cerca de 1% é excretado inalterado.
- A pesquisadora orienta a não consumir carne de cação (tubaroões) e não jogar medicamentos no vaso sanitário, pois eles chegam ao mar e afetam a vida marinha.
O estudo do projeto Eco Shark, ligado à UFRJ, revelou a presença de sertralina no cérebro de tubarões-martelo na região do Rio de Janeiro. A pesquisa aponta que antidepressivos chegam ao ecossistema marinho.
Desde 2018, pesquisadores coletam carcaças de tubarões acidentais para entender impactos dos fármacos. A investigação foca em contaminantes emergentes, expandindo o monitoramento além de resíduos industriais.
Aumento no uso de antidepressivos na população, acentuado pela pandemia, motivou o estudo sobre efeitos nesses compostos. A sertralina foi verificada em tecidos de diferentes órgãos dos animais.
Método e achados principais
Foram analisados cérebro, fígado, músculo, brânquias e ampolas de Lorenzini. A concentração foi maior no cérebro, sugerindo atuação direta em sistemas psíquicos, pela característica lipofílica da droga.
A sertralina pode chegar ao oceano. A explicação envolve excreção humana, sistema de saneamento e passagem por sedimentos. A água tratada não elimina completamente fármacos, que acabam no ambiente.
Os tubarões não devem ser vistos como vilões, dizem os pesquisadores. Eles funcionam como indicadores da saúde do ecossistema marinho e sinalizam impactos potenciais para humanos.
Implicações e recomendações
Especialistas destacam que a população não deve consumir carne de cação, pois tubarões-martelo também são espécies vulneráveis. Evitar o descarte inadequado de medicamentos é uma medida crucial.
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