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El Niño retorna com força; riscos vão além da comparação com Godzilla

El Niño retorna com força extrema, elevando calor global e risco de crises alimentares; fundos de preparação humanitária estão aquém do necessário

Damage caused by flash floods in Huachipa, east of Lima, Peru in 2017, where water distribution systems collapsed during heavy downpours.
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  • El Niño voltou e há preocupação de que seja “forte” ou até muito forte no pico, com probabilidade de 63% segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (National Oceanic and Atmospheric Administration, NOAA).
  • O Bureau of Meteorology da Austrália avisou que o fenômeno pode agravar o calor extremo e os incêndios florestais no país.
  • Algumas cientistas já o batizaram de “super” ou “Godzilla” El Niño, dadas as anormalidades de temperatura esperadas; a Organização Meteorológica Mundial (WMO) alerta para preparação, mas ainda não sinalizou o tamanho exato da intensidade.
  • Nações Unidas: pela primeira vez, o Programa Mundial de Alimentos e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura fizeram um apelo conjunto por recursos para prevenir crises; são 8,8 milhões de pessoas a serem ajudadas com sementes resistentes à seca, defesas contra cheias, armazenamento de água e transfers de dinheiro.
  • O contexto é de vulnerabilidade ampliada: o próximo ano deve ser o mais quente já registrado, com fatores econômicos que aumentam a exposição de países pobres a choques climáticos.

El Niño retorna com força e preocupa especialistas, que veem a possibilidade de impactos climáticos e humanitários significativos neste ano. A condição foi diagnosticada no Pacífico e já representa risco de ondas de calor, secas e chuvas extremas em diferentes regiões.

O cenário atual aponta para forte aquecimento das águas, com a NOAA estimando 63% de chance de alcançar intensidade muito alta perto do pico, no fim do ano. A BoM da Austrália também alertou para o agravamento de calor e incêndios.

A previsão de grandes impactos não se restringe às temperaturas. Em áreas vulneráveis, a combinação de seca prolongada, distúrbios econômicos e dívidas em países pobres eleva a exposição a crises alimentares e à necessidade de assistência humanitária.

Segundo especialistas, o efeito pode variar conforme o país, mas cenários extremos devem se repetir com maior frequência, complicando a adaptação de comunidades já pressionadas por outros choques climáticos e econômicos.

A necessidade de ação antecipada ganhou força nesta semana, com a ONU pedindo recursos para enfrentar a crise antes de ela se agravar. A World Food Programme e a FAO lançaram um apelo conjunto, ressaltando que cada dólar investido antecipadamente economiza vários na resposta emergencial.

O financiamento requerido soma 202 milhões de dólares, mas há apenas 167 milhões disponíveis, destinados a ações como sementes resistentes à seca, defesas contra cheias, armazenamento de água e transferências em dinheiro para 8,8 milhões de pessoas.

A situação é delicada em especial em países africanos e asiáticos já atingidos por choques de fertilizantes, dívidas elevadas e dependência de importações. Analistas destacam que a crise pode eliminar a última linha de defesa doméstica para muita gente.

Em meio às preocupações, autoridades apontam que, mesmo com o El Niño, não há garantia de pior desempenho global das safras, pois ganhos em algumas regiões podem compensar perdas em outras. O foco está na vulnerabilidade de quem já vive sob pressões.

O médico e epidemiologista Adugna Woyessa relembra que mudanças climáticas afetam a saúde ao reduzir disponibilidade de alimentos e nutrientes. Para ele, a nutrição é crucial para a resiliência ante impactos do fenômeno.

O pesquisador ressalta ainda que padrões de chuva e a duração das estações estão mudando, dificultando previsões agrícolas. Em sua região, o rio que antes era volumoso hoje é quase uma passagem estreita, refletindo transformações históricas no clima local.

Ao redor do mundo, autoridades e cientistas destacam a necessidade de planejamento e cooperação internacional para enfrentar as consequências de El Niño, especialmente diante de um cenário global mais quente e instável.

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