- Especialistas divergem sobre a segurança da semaglutida durante a amamentação, sem consenso claro até o momento.
- Estudo de 2024 com oito mulheres que usaram semaglutida durante a amamentação não detectou a substância no leite materno, sugerindo baixa probabilidade de passagem.
- O interesse pelo tema aumentou, com crescimento de consultas ao Infant Risk Center (Texas Tech University) de mais de 500% entre 2021 e 2024.
- Há quem veja baixo risco de efeitos no bebê, mas outros apontam a falta de ensaios clínicos randomizados e defendem cautela.
- Também não há resposta definitiva sobre o impacto da medicação na produção de leite; alguns especialistas mencionam o risco de desidratação por redução calórica e orientam acompanhamento médico individual.
A semaglutida, princípio ativo de Ozempic e Wegovy, é amplamente usada no tratamento de diabetes tipo 2 e na perda de peso. Com o aumento do interesse no pós-parto, médicos avaliam se a substância é segura para mulheres que amamentam.
Dados de busca indicam crescimento no interesse: consultas sobre semaglutida em amamentação aumentaram significativamente entre 2021 e 2024, segundo o Infant Risk Center, da Texas Tech University. Estudos recentes também mostram aumento no uso entre mães que deram à luz até seis meses.
Um estudo de 2024 na JAMA acompanhou oito mulheres que utilizavam semaglutida durante a amamentação; nenhuma amostra de leite apresentou a substância. A autora principal afirma que a molécula é grande demais para passar para o leite, comparando a hipótese com encaixar um elefante pela janela da cozinha.
O que diz a ciência sobre o leite materno
A pesquisadora Kaytlin Krutsch, diretora do Infant Risk Center, reforça que não houve detecção da substância em amostras de leite no estudo citado. Ela aponta a baixa probabilidade de passagem para o leite e de absorção pelo bebê. A pediatra Maya Bunik, da Academia Americana de Pediatria, também aponta que a quantidade provavelmente é muito baixa e que efeitos adversos são improváveis, embora a entidade não tenha posição oficial.
Por outro lado, Fatima Cody Stanford, do Massachusetts General Hospital, diverge. Ela aponta que o estudo envolveu poucas participantes e que ainda não existem ensaios clínicos randomizados para confirmar a segurança. A divergência entre especialistas é comum em temas com poucos dados diretos.
A dúvida sobre a produção de leite
Entre quem considera o risco direto baixo, persiste a dúvida sobre a lactação. Krutsch levanta a hipótese de que a redução do apetite causada pela semaglutida possa diminuir a ingestão calórica da mãe, potencialmente afetando a produção de leite e a disponibilidade de nutrientes.
O médico Jean Vel, especialista em medicina materno-fetal, concorda que a hipótese é relevante. Ele cita a possibilidade de desidratação associada à menor ingestão de líquidos durante a amamentação como fator a ser monitorado.
Recomendações e caminhos práticos
As opiniões não são totalmente unânimes. Stanford defende que a semaglutida só seja retomada após o término completo da amamentação, com orientação médica. Krutsch sugere aguardar até o bebê ter pelo menos 9 meses, quando já recebe fontes adicionais de nutrição, mantendo suplementação vitamínica. Vel adota posição mais flexível, considerando aceitável retomar a medicação em algumas pacientes, desde que haja decisão conjunta entre médico e paciente.
A orientação comum entre especialistas é a importância de conversar com o médico antes de qualquer decisão. A comunicação aberta busca equilibrar saúde da mãe e nutrição do bebê durante o uso da medicação.
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