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Vitamina C e gripe: o que realmente ocorre com o excesso

Vitamina C não evita gripes; reduz modestamente a duração dos sintomas apenas em quem a usa regularmente, e o excesso é eliminado pelos rins

Seu corpo não absorve toda a vitamina C ingerida.
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  • Tomou vitamina C em alta dose não impede gripe já instalada; revisão da Cochrane (Hemilä e Chalker, 2013) mostra que uso regular não reduz incidência de resfriados na população em geral, mas pode reduzir em cerca de oito por cento a duração dos sintomas em quem já utilizava antes de adoecer.
  • Benefício observado está ligado apenas ao uso contínuo; iniciar suplementação após o surgimento dos sintomas não apresenta resultados consistentes.
  • O corpo tem capacidade limitada de absorção da vitamina C: doses entre 200 mg e 400 mg por vez tendem a saturar a absorção e o excesso é eliminado pelos rins.
  • Excesso de vitamina C pode causar desconfortos gastrointestinais, diarreia, náuseas e aumentar a carga de trabalho renal; pode ainda favorecer a formação de cálculos renais de oxalato em pessoas suscetíveis.
  • A vitamina C continua importante para a saúde, mas não funciona como solução rápida para interromper um resfriado em andamento; a melhor estratégia é alimentação balanceada, sono adequado e, se necessário, suplementação orientada.

Ao lado de evidências restantes, a ideia de que grandes doses de vitamina C previnem ou curam resfriados é contestada pela ciência. Novo olhar sobre estudos globais mostra limites claros ao benefício em grupos gerais.

A revisão mais abrangente sobre o tema foi publicada na Cochrane Database, com Hemilä e Chalker como principais pesquisadoras. A atualização ocorreu em janeiro de 2013, reunindo dezenas de estudos clínicos com milhares de participantes.

Para a população em geral, a suplementação regular de vitamina C não reduziu a incidência de resfriados. Em resumo, tomar vitamina C diariamente não impediu que a maioria adoecesse.

Entre adultos que já faziam uso da vitamina C antes de adoecer, houve redução modesta na duração dos sintomas, em média 8%. O efeito aparece apenas em quem já utilizava o nutriente de forma contínua.

Quando a suplementação começa apenas após o aparecimento dos sintomas, os resultados não são consistentes ou significativos. Ou seja, iniciar uso no pico da doença não apresenta benefício claro.

Absorção e limites da dose

O intestino humano usa transportadores SVCT1 para absorver a vitamina C, com captação limitada. Doses entre 200 mg e 400 mg por vez já chegam perto da saturação, e doses maiores perdem eficiência.

Assim, tomar 1 g ou 2 g de uma só vez não é aproveitado integralmente pelo organismo. O excedente é eliminado pelos rins, o que explica a expressão popular xixi caro.

Possíveis efeitos adversos

Por ser hidrossolúvel, a vitamina C raramente causa intoxicação grave em adultos saudáveis. Contudo, altas quantidades repetidas podem aumentar o risco de cálculos renais de oxalato, além de desconfortos gastrointestinais, diarreia e náuseas.

Por isso, mais nem sempre é melhor no uso de suplementos. O equilíbrio entre alimentação, sono, atividade física e orientação médica é indicado para a saúde geral.

O que fica comprovado

A vitamina C continua importante para processos como produção de colágeno e função antioxidante, mas não funciona como solução rápida para interromper um resfriado já em curso. A recomendação é manter hábitos saudáveis e usar suplementos apenas quando orientado.

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