- Audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia discutiu diagnóstico tardio da hipertensão pulmonar e dificuldades de acesso ao tratamento pelo SUS, com impacto na sobrevida.
- Abraf aponta que 86% dos pacientes são mulheres, a maioria tem entre 30 e 49 anos, e 56% está fora do mercado de trabalho; 51% têm renda familiar de até R$ 2 mil.
- Pacientes apontam sofrimento multidimensional e atraso no diagnóstico, com a maioria apresentando sintomas por pelo menos dois anos antes de ser identificado.
- Dados do DataSUS de 2019 a 2025 mostram 315 transplantes pulmonares bilaterais e 116 unilaterais; apenas 18 transplantes aparecem na CID DataSUS; custo no SUS é de cerca de R$ 110 mil, enquanto na rede privada chega a cerca de R$ 2,5 milhões, com acesso concentrado em certas regiões.
- Em 2023, o Ministério da Saúde aprovou o Novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, fortalecendo o cuidado integral, e foi criada a Política Nacional de Atenção Especializada para ampliar o acesso a serviços especializados.
A hipertensão pulmonar (HP) é uma condição grave que sobrecarrega o coração. Em audiência realizada nesta segunda-feira (22), senadores e especialistas discutiram o diagnóstico tardio e as dificuldades de acesso ao tratamento no SUS, que podem reduzir a sobrevida.
O encontro ocorreu na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado, com o objetivo de entender os entraves na identificação da HP e a efetividade de políticas públicas para o tratamento e acompanhamento dos pacientes.
O presidente da CCT, senador Flávio Arns (PSB-PR), destacou que o tema recebe apoio parlamentar há anos e pediu que pesquisas e inovações nacionais avancem, acompanhando o planejamento global da área.
Diagnóstico
Débora Lima, vice-presidente da Abraf, afirmou que o diagnóstico chega de forma alarmante e que pacientes não sabem onde pedir ajuda. Ela revelou que, após sete anos de investigação, também teve HP.
Ela ressaltou que a doença impacta o paciente em diversas esferas: saúde, econômica, social, psicológica, familiar e de cuidador, sinalizando a complexidade do conjunto de consequências.
A Abraf divulgou dados de 2019 indicando que 86% dos pacientes eram mulheres, com maioria entre 30 e 49 anos, fora do mercado de trabalho em 56%. O estudo apontou renda familiar de até R$ 2 mil para 59% e altos índices de depressão (51%) e ansiedade (86%).
Sintomas
Ricardo de Amorim Corrêa, da SBPT, afirmou que a maioria dos pacientes apresenta pelo menos dois anos de sintomas antes do diagnóstico. Ele explicou que as artérias da HP se tornam espessas, dificultando a passagem sanguínea para o coração.
O médico mencionou falta de ar intensa e limitação de esforço como principais sinais. Entre as causas, citou mais que uma doença cardíaca ou pulmonar, com esquistossomose destacada como fator relevante no Brasil.
Lacunas epidemiológicas persistem: não há registros multicêntricos que reflitam a heterogeneidade da população, limitando estimativas de prevalência e incidência. O diagnóstico tardio e o acesso desigual ao tratamento aparecem como obstáculos centrais.
Transplantes
Flavia Navarro, da SBC, informou dados do DataSUS de 2019 a junho de 2025: 315 transplantes pulmonares bilaterais e 116 unilaterais. Porém, segundo ela, apenas 18 transplantes constam no DataSUS com a Classificação Internacional de Doenças mais recente.
Ela apontou que o custo do SUS fica em torno de R$ 110 mil por procedimento, enquanto na rede privada o valor chega a cerca de R$ 2,5 milhões. A diferença levanta dúvidas sobre o acesso regional a transplantes, especialmente na Região Norte.
Protocolo clínico
Cecília Menezes Farinasso, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, informou que, em 2023, foi aprovado o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da HP. O documento traz tratamento com base em evidências e cuidado integral ao paciente no SUS.
Carmen Cristina Moura dos Santos, da MS, destacou a criação da Política Nacional de Atenção Especializada, visando ampliar o acesso a serviços especializados. A incidência da HP é de dois a cinco casos por milhão de adultos por ano, com sobrevida mediana de 2,8 anos sem tratamento específico.
Entre na conversa da comunidade