- Após mais de vinte horas de caminhada por terra e mais de três horas para subir e descer uma montanha, uma expedição revelou uma nova espécie do gênero Rafflesia, em Sumatra Ocidental, encerrando uma busca de treze anos.
- A flor, gigante e chamada de flor-cadáver por seu cheiro de carne em decomposição, pode superar um metro de diâmetro e atrai moscas para a polinização.
- Cientistas alertam que todas as espécies conhecidas estão ameaçadas pela destruição das florestas do Sudeste Asiático, com populações de apenas centenas de indivíduos em alguns casos, defendendo conservação associada ao ecoturismo e às comunidades locais.
- A nomenclatura científica Rafflesia é alvo de debate político e científico: há resistência a mudar o nome por remontar a um colonialista britânico, com referências a nomes locais como pakma, patma e ambai-ambai já existentes.
- A descoberta histórica ocorreu em mil setecentos e dezoito, quando exploradores britânicos batizaram a planta em homenagem a Stamford Raffles, enquanto historiadores ressaltam que mudanças de nomes exigem longos debates e consenso internacional.
Septian Andriki, botânico, chorou de emoção ao anunciar a descoberta de uma nova espécie do gênero Rafflesia, uma das flores mais raras do planeta. A busca durou 13 anos e terminou após mais de 20 horas de caminhada por terra, seguidas de mais de três horas para subir e descer uma montanha. O achado ocorreu em uma rota usada por tigres na região de Sumatra Ocidental, na Indonésia.
A nova planta pertence ao gênero Rafflesia, conhecido por plantas parasitas sem folhas, caules ou raízes, que vivem escondidas em cipós. Quando surge, produz uma flor gigante que pode ultrapassar 1 metro de diâmetro. A espécie encontrada amplia o grupo já conhecido de mais de 40 rafflesias, cuja maior flor chega a 1,11 m de diâmetro.
A descoberta reacende o interesse pela flor conhecida pela catinga forte, associada ao cheiro de carne em decomposição, uma estratégia para atrair moscas polinizadoras. Cientistas destacam que, apesar do fascínio global, grande parte do ciclo de vida da planta permanece pouco compreendida, e novas variedades seguem sendo identificadas.
Debate sobre o nome e o legado colonial
A flor é símbolo cultural no Sudeste Asiático, figurando em parques nacionais e sendo associada a diferentes regiões da Indonésia, Malásia e Tailândia. Em 2023, a discussão sobre o nome ganhou as manchetes na Malásia, quando um deputado propôs substituir o nome por questões históricas ligadas ao colonialismo. A proposta encontrou resistência entre cientistas, que defendem que termos científicos não devem sofrer mudanças por motivos políticos.
Críticos lembram que, além do nome científico, a planta já recebe apodos locais, como pakma ou bunga bangkai. No campo científico, mudanças desse tipo exigem extensa consulta e aprovação da comunidade botânica internacional, não se restringindo a decisões políticas. Especialistas ressaltam que renomear um gênero inteiro envolve processos complexos e debates longos.
Historicamente, exploradores britânicos catalogaram a planta pela primeira vez em 1818, nomeando-a em homenagem ao então governador Stamford Raffles. Pesquisadores sugerem que restaurar nomes locais poderia reconhecer tradições indígenas, ainda que a mudança possa gerar impactos em bancos de dados científicos. Em Madri, casos recentes mostram que alterações terminológicas exigem consenso entre centenas de especialistas.
O legado de Raffles permanece controverso. Em Singapura, o nome está ligado à fundação de um entreposto comercial no início do século XIX, com políticas que hoje são objeto de reflexão histórica. Embora haja reconhecimento gradual de narrativas além da figura de Raffles, a discussão sobre nomes e símbolos coloniais persiste entre historiadores e participantes políticos.
Entre na conversa da comunidade