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Frio aumenta risco de infarto e AVC; saiba como se proteger

O frio eleva o risco de infarto e AVC ao provocar vasoconstrição e liberação de adrenalina, sobrecarregando o coração, especialmente em quem tem comorbidades

Rosângela Gusmão, 65, cerca de um ano após ter sofrido um infarto, na manhã do dia 10 de junho de 2025
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  • O frio pode aumentar o risco de infarto em até trinta por cento e de AVC em até vinte por cento quando as temperaturas ficam abaixo de catorze graus Celsius, principalmente entre pessoas de sessenta e cinco a oitenta e quatro anos.
  • A vasoconstrição causada pela queda de temperatura exige mais do coração, elevando a sobrecarga e o risco de eventos cardiovasculares em dias frios.
  • A liberação de adrenalina para manter a temperatura pode desestabilizar placas de aterosclerose, especialmente em quem já tem risco cardiovascular.
  • Exemplo real: uma microempresária de sessenta e cinco anos, em São Paulo, teve infarto em quinze de junho de 2025, após uma manhã com temperatura em torno de quatorze graus; foi submetida a angioplastia com dois stents e teve recuperação.
  • Sugestões de prevenção para manter a saúde do coração: sono adequado, controle do estresse, alimentação balanceada, prática regular de atividade física, monitoramento da pressão arterial, colesterol e glicose, e não fumar.

O frio aumenta a demanda sobre o coração. Em dias de temperaturas baixas, o organismo libera adrenalina para manter a temperatura corporal, o que pode desestabilizar placas de aterosclerose e elevar o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Aumenta também a vasoconstrição, que sobrecarrega o sistema cardiovascular.

O Instituto Nacional de Cardiologia aponta que infartos podem subir até 30% quando a temperatura fica abaixo de 14°C. Idosos entre 75 e 84 anos e pessoas com doenças cardíacas são as mais vulneráveis; os casos de AVC podem crescer até 20% no mesmo período. A temperatura, porém, não é a causa, mas um fator que agrava o quadro.

Segundo o cardiologista Fernando Ribas, o frio provoca queda brusca de temperatura que desencadeia respostas do corpo. A liberação de adrenalina eleva o metabolismo para conservar calor e, em pacientes com risco, pode destabilizar placas de aterosclerose, levando a eventos agudos como infarto ou AVC.

Rosângela Gusmão, 65, vivenciou a relação entre frio e infarto de perto. Sem sintomas anteriores, ela enfrentou entupimento de veia cardíaca em 10 de junho de 2025, quando a temperatura na capital paulista ficou próxima de 14°C pela manhã. Vítima de dor no peito, foi encaminhada ao hospital e submetida a angioplastia com implante de dois stents.

A paciente relata que, mesmo com hábitos saudáveis — alimentação equilibrada, treino regular e acompanhamento nutricional —, o episódio ocorreu. Após dois meses de reabilitação cardiopulmonar, retornou à rotina, com reforço sobre a importância de hábitos saudáveis para o coração.

O médico destaca pilares para redução de riscos: sono adequado, controle do estresse, alimentação baseada em legumes, carnes magras e carboidratos integrais, prática de atividade física regular e monitoramento da pressão arterial, colesterol, glicose e função renal. É recomendado não fumar.

Além de agravar o risco cardiovascular, o frio pode descompensar hipertensão e diabetes. A adrenalina liberada para manter a temperatura interfere nesses parâmetros, dificultando o controle pressórico e glicêmico em indivíduos vulneráveis.

Dados nacionais indicam o peso das doenças do aparelho circulatório no país. Em 2024, o Brasil registrou cerca de 398 mil mortes por patologias cardíovasculares, com taxa de 187,5 óbitos por 100 mil habitantes, a segunda maior em 23 anos. Os números vêm de dados oficiais divulgados pelo Datasus.

Para enfrentar o frio com segurança, especialistas reiteram a importância de manter hábitos saudáveis e de monitorar sinais de alerta cardíaco. Caso haja dor no peito, falta de ar ou desconforto intenso, deve-se buscar atendimento médico como medida de precaução e para diagnóstico preciso.

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