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Alerta médico sobre riscos do trimestre zero e práticas pré-gravidez

Ginecologista alerta: o 'trimestre zero' não aumenta fertilidade e pode colocar a saúde de mães e bebês em risco

No consultório, o ginecologista do esporte Pedro Porto busca alertar pacientes contra a desinformação nas redes
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  • O fenômeno “trimestre zero”, promovido por influenciadores no TikTok, incentiva preparar o corpo três meses antes da concepção com dietas restritivas, exercícios intensos, detox e até suspensão de itens como esmaltes, tinturas e medicamentos.
  • O ginecologista do esporte Pedro Porto alerta que essas práticas não têm embasamento científico e podem ser prejudiciais, incluindo a interrupção de tratamentos necessários.
  • Ele observa que há radicalização crescente e que, em geral, um casal saudável pode levar até um ano para engravidar com relação frequente sem preservativo; mudanças de estilo de vida podem ajudar, mas não garantem fertilidade.
  • Uma revisão científica com 7.905 mulheres mostrou que intervenções nos três meses antes da tentativa de gravidez não aumentam a fertilidade nem reduzem a taxa de abortos em pessoas saudáveis.
  • No consultório, há casos de gestantes com exercícios excessivos ou dietas muito restritivas; o médico destaca a importância de equilibrar atividade física e cuidado com a gravidez, além de usar a educação para combater a desinformação.

Diante do crescimento de conteúdos radicais promovidos por influenciadores, médicos alertam para riscos do chamado “trimestre zero”. A tendência sugere preparar o corpo três meses antes da concepção para aumentar as chances de gravidez, sem respaldo científico. Profissionais lembram que práticas extremas podem prejudicar a saúde da mãe e do bebê.

O ginecologista do esporte Pedro Porto, da Universidade Federal de São Paulo, analisou perfis de TikTok que defendem rotinas restritivas, exercícios intensos e detox para facilitar a concepção. Entre recomendações estão evitar esmaltes, tinturas, roupas e até alguns medicamentos por suposto efeito adverso.

Porto aponta duas questões-chave da tendência: o radicalismo crescente e a ideia de controle absoluto sobre a gravidez. Ele ressalta que, mesmo entre casais saudáveis, a fertilidade costuma exigir tempo e planejamento, e que a concepção pode levar até um ano.

Mudanças de estilo de vida antes da concepção são relevantes, mas não garantem sucesso. O médico explica que alterações nos três meses anteriores podem trazer benefícios apenas se mantidas ao longo do período fértil, e não se justificam se não houver continuidade.

Há riscos de saúde que vão além da estética, como pré-eclâmpsia, obesidade e diabetes gestacional. A pressão por uma imagem perfeita pode levar mulheres a decisões que colocam em risco a própria saúde e a do bebê, segundo Porto.

Dados e contexto científico

Uma revisão publicada na Human Reproduction Update aponta que medidas radicais não melhoram a saúde reprodutiva. Em quase oito mil mulheres, intervenções nos três meses antes da tentativa de gravidez não aumentaram a fertilidade nem reduziram abortos, sugerindo pouca utilidade de protocolos extremados.

O ginecologista também comenta casos no consultório em que atividades físicas intensas durante a gestação foram inadequadas. Em episódios, avaliações mostraram necessidade de reduzir a carga de treino para preservar o crescimento fetal, reforçando a ideia de que a gestação não deve ser tratada como desempenho esportivo.

Para Porto, a educação sobre fertilidade é essencial. Ele enfatiza o papel das redes de saúde pública, especialmente as Unidades Básicas de Saúde de São Paulo, na desinformação e no esclarecimento de dúvidas, buscando acompanhar mulheres com planejamento de gestação de forma segura.

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