- Doença renal rara Glomerulopatia por Complemento 3 (C3G) é causada pela desregulação do sistema complemento, podendo afetar pessoas de todas as idades.
- Anne Raissa Ferro, 33 anos, de Campo Grande, foi diagnosticada com C3G em 2020 após biópsia renal; a urina espumosa nem sempre aparece de imediato.
- Na época, não havia tratamentos específicos aprovados no Brasil; a paciente recebeu terapias de suporte e acabou perdendo parte da função renal.
- Diante da progressão, iniciou hemodiálise e ficou 11 meses na lista de espera até realizar transplante renal; hoje a doença está controlada.
- A história faz parte da série Viver é Raro, que aborda pacientes com doenças raras e os desafios de diagnóstico e acesso a tratamento.
A glomerulopatia por Complemento 3 (C3G) é uma doença renal rara causada pela desregulação do sistema complemento, parte do sistema imunológico. Ela pode levar à perda da função renal e tem impactado pessoas de todas as idades, sobretudo na faixa produtiva.
A doença provoca inflamação nos glomérulos, filtros dos rins que removem toxinas e excesso de líquidos. Quando desregulada, pode causar sinais como urina espumosa, inchaços, pressão alta e anemia, dificultando o diagnóstico por apresentar sintomas inespecíficos.
Ainda sem amplo reconhecimento entre profissionais de saúde, a C3G tem desafiado diagnóstico e acesso a tratamento especializado. Em 2020, não havia terapias aprovadas no Brasil voltadas para a doença, o que deixou pacientes dependentes de abordagens de suporte.
Caso de Anne Raissa Ferro
A auxilar pedagógica de 33 anos, de Campo Grande (MS), foi diagnosticada aos 26 anos após procurar atendimento por inchaços intensos. Exames mostraram creatinina elevada, indicando comprometimento renal, e a biópsia renal confirmou a C3G.
A paciente descreveu a dificuldade de encontrar informações na língua local, já que muitos materiais estavam em inglês. O tratamento inicial contou com terapias de suporte, mas a função renal continuou a cair, chegando a perder parte significativa da capacidade filtrante.
Conforme a doença avançou, Anne iniciou hemodiálise e permaneceu na lista de espera por 11 meses até conseguir um transplante renal. Atualmente, Vive com a função renal controlada e participa de atividades acadêmicas, além de transformar a experiência em expressão artística.
Durante a internação, Anne encontrou uma nova dimensão de cuidado: a escrita. Hoje, está estudando Letras e prepara o lançamento de um livro de poesias inspirado em sua vivência com a doença.
Entre na conversa da comunidade