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Golfinhas lembram machos agressivos e evitam o acasalamento

Golfinhas fêmeas evitam machos agressivos com base em memórias individuais e no histórico de coerção, influenciando suas escolhas de reprodução

A nova pesquisa aponta que comunicação e cognição moldam as estratégias femininas para gerenciar relacionamentos com machos — Foto: Wikimedia Commons
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  • Pesquisa realizada em Shark Bay, Austrália, que acompanha golfinhos há cerca de quarenta anos, reúne dados sobre relações sociais e histórico comportamental.
  • Foram usadas 34 gravações de assobios de 11 indivíduos, reproduzidas debaixo d’água para 17 fêmeas, com drones registrando deslocamentos e comportamentos.
  • Em testes, as fêmeas se afastaram ao ouvir assobios de certos machos; houve assobios que as deixaram assustadas e levaram à evasão.
  • Durante a temporada reprodutiva, machos formam consórcios que podem envolver coerção, com cercos, restrição de movimentos e agressões; machos mais agressivos provocaram evasões mais intensas.
  • As fêmeas parecem reagir não apenas ao comportamento direto, mas ao histórico geral de agressividade dos machos na população, especialmente entre fêmeas férteis; estudos apontam que o objetivo é reduzir riscos durante a reprodução.

A presença de golfinhos fêmeas em Shark Bay, na Austrália, é objeto de estudo há cerca de 40 anos. A pesquisa atual analisa como experiências passadas moldam a escolha de parceiros e estratégias de proteção durante a reprodução.

Cientes de que cada golfinho naris-de-garrafa possui um assobio único, os cientistas usaram 34 gravações de 11 indivíduos. Assobios foram reproduzidos sob a água para 17 fêmeas, com drones registrando deslocamentos e comportamentos.

Em testes, algumas fêmeas se afastaram ao ouvir certos assobios. Técnicos observam que, em certos casos, as fêmeas iam embora após a reprodução de assobios de machos específicos.

Acasalamento coercitivo

Durante a temporada reprodutiva, machos formam consórcios que acompanham uma fêmea por horas ou dias. Tais grupos podem envolver coerção, com cercamento, restrição de movimentos e ataques.

Os pesquisadores apontam que machos com histórico de comportamento agressivo tendem a provocar evasões mais intensas nas fêmeas. Vocalizações ameaçadoras também aparecem como instrumento de intimidação.

Memória e padrões de comportamento

A equipe destacou que as fêmeas não respondem apenas a experiências próprias. O histórico de agressividade dos machos na população também influencia as reações. A taxa de consórcios gerais parece moldar a evasão das fêmeas.

Fêmeas férteis mostraram respostas mais fortes, comparadas a aquelas que amamentam, são mais velhas ou não estão no período fértil. Evitar machos coercitivos pode reduzir riscos na reprodução, segundo os autores.

Perspectivas e próximos passos

Os cientistas investigam como as fêmeas adquirem essas informações, se associam assobios a experiências passadas ou aprendem observando interações sociais. A próxima etapa é entender quais características tornam certos machos mais atraentes.

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