- Pesquisa realizada em Shark Bay, Austrália, que acompanha golfinhos há cerca de quarenta anos, reúne dados sobre relações sociais e histórico comportamental.
- Foram usadas 34 gravações de assobios de 11 indivíduos, reproduzidas debaixo d’água para 17 fêmeas, com drones registrando deslocamentos e comportamentos.
- Em testes, as fêmeas se afastaram ao ouvir assobios de certos machos; houve assobios que as deixaram assustadas e levaram à evasão.
- Durante a temporada reprodutiva, machos formam consórcios que podem envolver coerção, com cercos, restrição de movimentos e agressões; machos mais agressivos provocaram evasões mais intensas.
- As fêmeas parecem reagir não apenas ao comportamento direto, mas ao histórico geral de agressividade dos machos na população, especialmente entre fêmeas férteis; estudos apontam que o objetivo é reduzir riscos durante a reprodução.
A presença de golfinhos fêmeas em Shark Bay, na Austrália, é objeto de estudo há cerca de 40 anos. A pesquisa atual analisa como experiências passadas moldam a escolha de parceiros e estratégias de proteção durante a reprodução.
Cientes de que cada golfinho naris-de-garrafa possui um assobio único, os cientistas usaram 34 gravações de 11 indivíduos. Assobios foram reproduzidos sob a água para 17 fêmeas, com drones registrando deslocamentos e comportamentos.
Em testes, algumas fêmeas se afastaram ao ouvir certos assobios. Técnicos observam que, em certos casos, as fêmeas iam embora após a reprodução de assobios de machos específicos.
Acasalamento coercitivo
Durante a temporada reprodutiva, machos formam consórcios que acompanham uma fêmea por horas ou dias. Tais grupos podem envolver coerção, com cercamento, restrição de movimentos e ataques.
Os pesquisadores apontam que machos com histórico de comportamento agressivo tendem a provocar evasões mais intensas nas fêmeas. Vocalizações ameaçadoras também aparecem como instrumento de intimidação.
Memória e padrões de comportamento
A equipe destacou que as fêmeas não respondem apenas a experiências próprias. O histórico de agressividade dos machos na população também influencia as reações. A taxa de consórcios gerais parece moldar a evasão das fêmeas.
Fêmeas férteis mostraram respostas mais fortes, comparadas a aquelas que amamentam, são mais velhas ou não estão no período fértil. Evitar machos coercitivos pode reduzir riscos na reprodução, segundo os autores.
Perspectivas e próximos passos
Os cientistas investigam como as fêmeas adquirem essas informações, se associam assobios a experiências passadas ou aprendem observando interações sociais. A próxima etapa é entender quais características tornam certos machos mais atraentes.
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