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Parceria USP e universidade argentina mostra relação entre moradia e trabalho

Livro fruto de nove anos de cooperação Brasil-Argentina mostra como residência determina chances no trabalho e redesenha polos tecnológicos

Colaboração entre a USP e Universidad Nacional de General Sarmiento, da Argentina, resultou no livro "Territórios e Trabalho no Cone Sul: Reestruturações, Mobilidades e Subjetividades entre Brasil e Argentina" -Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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  • USP e a Universidad Nacional de General Sarmiento, da Argentina, lançam o livro Territórios e Trabalho no Cone Sul, resultante de quase nove anos de pesquisa conjunta.
  • O estudo analisa, de forma relacional, como o lugar onde mora influencia as chances no mercado de trabalho, com foco em cidades brasileiras e argentinas, como São José dos Campos, São Paulo, São Carlos e Buenos Aires.
  • O livro aponta uma mudança de paradigma em São José dos Campos, com a transição de uma ciência voltada a missões nacionais para atender demandas do mercado.
  • Em Buenos Aires, o setor de Tecnologia da Informação exige alta qualificação e inglês, reduzindo o acesso de parte da população; há relatos de ganho de poder dos trabalhadores com o teletrabalho, mas pouca atuação sindical nesses espaços.
  • Entre os temas, destaca a valorização do serviço ambiental prestado por catadores e a necessidade de políticas públicas que remunerem esse trabalho, além da ideia de envelhecer no território para manter vínculos e autonomia frente a riscos climáticos. O livro está disponível gratuitamente no portal de livros abertos da USP.

A USP, em São Carlos, lança o livro Territórios e Trabalho no Cone Sul, fruto de quase nove anos de cooperação com a Universidad Nacional de General Sarmiento, da Argentina. A obra analisa como moradia e mercado de trabalho se influenciam em cidades do Brasil e da Argentina.

O estudo resulta de um convênio firmado em 2022 e utiliza uma abordagem relacional para entender as transformações da economia global e seu impacto sobre as classes trabalhadoras. Foco nas trajetórias de lugares como São José dos Campos, São Paulo, São Carlos e Buenos Aires.

A pesquisa envolve o professor Marcel Fantin, um dos organizadores, que destaca a continuidade de encontros de 2017 para entender problemas estruturais e buscar soluções. O método enfatiza relações entre processos, não apenas comparações.

Mudanças de polo tecnológico

Outra frente, baseada na dissertação de Giovana de Carvalho Marchesin Rodrigues (2024), analisa São José dos Campos e Buenos Aires como espaços de reconfiguração das relações de trabalho. Em São José dos Campos, observa-se transição de uma ciência orientada por missões públicas para demandas de mercado.

Em Buenos Aires, a alta qualificação cria barreiras de entrada no setor de TI. O estudo aponta que currículos imobiliários, inglês, programação e formação superior passam a ser requisitos. A atuação sindical nesses espaços aparece como rarefeita, com aumento do teletrabalho.

O papel do serviço ambiental

O livro compara catadores de materiais recicláveis entre as duas cidades. A ideia central é que o serviço ambiental público deve ser remunerado pelos governos, independentemente do valor de mercado do material recolhido. A lógica busca reconhecer o trabalho relevante dessas pessoas.

A comparação aponta trajetórias distintas: em Buenos Aires, cooperativas de grande escala conseguem um salário social, enquanto no Brasil predomina a experiência de economia solidária fragmentada e de baixo rigor institucional.

Envelhecer no território

O estudo encerra com o conceito Envelhecer no Território, que propõe políticas urbanas para manter idosos em suas comunidades com autonomia. A proposta ressalta a importância de infraestrutura e vínculos afetivos para a qualidade de vida e identidade.

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