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Telecirurgia no SUS avança e expõe escassez de técnicos

Telecirurgia no SUS avança, mas gargalo técnico gera atrasos na implantação de robôs cirúrgicos, com 59% dos hospitais relatando atraso por falta de profissionais

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  • Governo investe R$ 50 milhões para estruturar rede de telecirurgia robótica no SUS, conectando Hospital de Amor, em Barretos (SP), a Porto Velho (RO), com início das operações previsto para julho de 2026.
  • Brasil já teve marcos na telecirurgia: primeira operação com internet de baixo custo em outubro de 2025 (João Pessoa a Curitiba) e, em fevereiro de 2026, primeiras telecirurgias robóticas do SUS realizadas pela FMUSP.
  • Mercado global de robótica cirúrgica atingiu US$ 12,49 bilhões em 2025; deve chegar a US$ 50,29 bilhões em 2035, enquanto 59% dos hospitais relatam atrasos pela falta de técnicos capacitados.
  • O especialista Matheus Moreira Soares diz que o suporte intraoperatório especializado é indispensável; falhas técnicas podem ter impacto clínico direto durante cirurgias.
  • Para enfrentar o gargalo, foi criado o Protocolo SCIDP (padronização operacional) e a metodologia ICSIP de suporte real‑time, visando reduzir falhas técnicas e manter disponibilidade acima de 95%.

A telecirurgia robótica avança no SUS com um investimento de 50 milhões de reais para ligar o Hospital de Amor, em Barretos (SP), a Porto Velho (RO). A operação está prevista para iniciar em julho de 2026. O Brasil já havia realizado a primeira telecirurgia robótica com internet de baixo custo em 2025.

A iniciativa ocorre em contexto de crescimento global da robótica cirúrgica, que atingiu 12,49 bilhões de dólares em 2025. A projeção é de alta de quase 15% ao ano até 2035, segundo pesquisas de mercado. No entanto, 59% dos hospitais relatam atrasos pela falta de profissionais técnicos capacitados.

Entre os desafios, destaca-se o papel essencial do suporte intraoperatório. Especialista Matheus Moreira Soares aponta que, sem equipe técnica qualificada, falhas no atendimento podem impactar o tempo de cirurgia e o desfecho clínico. Hospitais de grande porte exigem rede estável, alto desempenho e segurança cibernética.

Contexto global da telecirurgia

O mercado americano projeta crescimento de 1,2 bilhão de dólares em 2025 para 3,6 bilhões até 2031. A escassez de treinamento especializado é citada entre as principais barreiras. Para Soares, o problema é estrutural: infraestrutura tecnológica sem suporte humano capacitado eleva custos operacionais e riscos.

Globalmente, especialistas apontam que a lacuna de profissionais técnicos é a principal barreira para a expansão. No SUS, estima-se que 192 mil videolaparoscopias ocorram por ano; falhas em 1% gerariam quase duas mil intervenções comprometidas.

Protocolos e impactos operacionais

O profissional apresenta o Protocolo SCIDP, voltado à padronização de captura de imagem e operações de videocirurgia. Estudos indicam redução de falhas técnicas entre 30% e 45%, com disponibilidade superior a 95%. O protocolo foi elaborado a partir de falhas observadas em campo, não apenas de manuais.

Outra iniciativa é a Intraoperative Clinical Support and Integrated Prevention Methodology (ICSIP). O foco é monitoramento contínuo, reconfiguração em tempo real e eliminação de paradas para intervenção, reduzindo o passivo clínico e financeiro.

No Brasil, a saúde pública já soma quase 4 mil procedimentos robóticos realizados pelo Hospital de Amor. A rede de telecirurgia exige manutenção preventiva, segurança de redes e profissionais preparados para manter o sistema ativo durante as cirurgias.

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