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Três pessoas recebem implantes cerebrais que detectam câncer

Coherence Neuro testa interface cérebro-computador em pacientes com tumor cerebral; implante temporário durante cirurgia no Royal Melbourne Hospital para monitorar sinais e estimular para impedir o crescimento tumoral

Photograph: SCIEPRO/SCIENCE PHOTO LIBRARY
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  • A startup Coherence Neuro colocou temporariamente o implante de tamanho de moeda no cérebro de três pacientes que estavam passando por cirurgia para remoção de tumores cerebrais no Royal Melbourne Hospital, na Austrália, por cerca de 30 minutos.
  • O dispositivo é uma interface cérebro-computador que detecta sinais elétricos de tumores e pode entregar estímulos elétricos leves para tentar impedir o crescimento do tumor; a operação foi apenas um teste de segurança.
  • Entre os envolvidos está o chefe de neurocirurgia da Neuralink, Matthew MacDougall, que atua como consultor e investidor na Coherence, além de Rory Murphy, neurocirurgião conhecido por participar de estudos da Neuralink.
  • A ideia é monitorar tumores com mais frequência do que as soluções atuais e ajustar o estímulo elétrico de forma personalizada, com aplicativo conectado para que médicos acompanhem o estado da doença.
  • A Coherence planeja iniciar um ensaio clínico definitivo no próximo ano, com implante permanente em pacientes com glioblastoma, o tipo de tumor cerebral de maior risco de recidiva.

O Coherence Neuro testou, em humanos, um implante cerebral de tamanho de uma moeda para detectar e tratar câncer. O experimento ocorreu durante cirurgias de retirada de tumores cerebrais no Royal Melbourne Hospital, na Austrália. O dispositivo ficou no cérebro por cerca de 30 minutos e foi removido ao final da avaliação de segurança.

O objetivo é monitorar sinais elétricos dos tumores e, em seguida, aplicar estimulação elétrica suave para tentar impedir o crescimento tumorígeno. Os pacientes participaram do procedimento com consentimento previamente obtido.

As informações sobre o teste foram confirmadas pela empresa, que afirma que a experiência permitiu observar o funcionamento do dispositivo a curto prazo. Não houve divulgação de dados clínicos detalhados neste estágio inicial.

Contexto tecnológico

A ideia por trás de implantes cerebrais para câncer se baseia em propriedades elétricas distintas de tecidos tumorais. Executivos da Coherence Neuro destacam que o problema é, em parte, de rede neural, o que orienta a abordagem de estimulação controlada.

Pesquisas anteriores mostraram que certos gliomas agressivos podem se apoiar em sinapses com neurônios vizinhos, influenciando o crescimento. Estudos com modelos animais sugerem que a eletricidade de baixa intensidade pode interromper sinais elétricos associados a tumores.

Tecnologias semelhantes já existem no mercado médico. O Optune, da Novocure, foi aprovado para glioblastoma em 2011 e recentemente ganhou autorização para uso em câncer de pâncreas. O sistema exige uso contínuo por grande parte do dia.

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